Consumo Digital e Educação: Como Vídeos Curtos Afetam Crianças e Jovens no Brasil

O consumo digital excessivo está transformando a educação no Brasil, afetando a leitura e a escrita de crianças e jovens. Descubra como enfrentar esse desafio!

12/05/2026 01:56

3 min

Consumo Digital e Educação: Como Vídeos Curtos Afetam Crianças e Jovens no Brasil
(Imagem de reprodução da internet).

Impactos do Consumo Digital na Educação

O consumo excessivo de conteúdos digitais, especialmente vídeos curtos, está alterando a estrutura cognitiva de crianças e jovens brasileiros. Essa mudança dificulta o desenvolvimento do raciocínio lógico, além de prejudicar as habilidades de leitura e escrita.

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Em um contexto onde 53% das famílias brasileiras raramente leem para seus filhos, conforme dados da OCDE, a função da escola se torna ainda mais essencial para lidar com o imediatismo tecnológico.

Desafios da Exposição a Estímulos

De acordo com Leonardo Monteiro, gerente de ensino médio da Fundação Bradesco, a exposição constante a esses conteúdos impacta diretamente a capacidade de manter a atenção. Essa “hiperconexão” resulta em dificuldades para os alunos interpretarem textos longos, organizarem ideias de forma clara e ampliarem seu vocabulário.

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Monteiro observa que o excesso de tempo em frente às telas afeta a maneira como crianças e jovens leem e escrevem, reduzindo a concentração e a profundidade da leitura.

Para enfrentar essa situação, a Fundação Bradesco implementou uma estratégia pedagógica que inclui a proibição total de telas na Educação Infantil e no 1º ano do ensino fundamental. A abordagem prioriza experiências concretas, interação, oralidade e a exploração do mundo físico, visando construir as bases cognitivas e socioemocionais da aprendizagem.

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Mara Pane, superintendente de ensino da fundação, destaca que o desenvolvimento da linguagem e do pensamento deve ocorrer por meio de vivências reais, não mediadas principalmente por dispositivos eletrônicos.

Norma Culta e Inclusão Social

A discussão também levanta uma questão importante sobre o domínio da norma culta no Brasil. Embora o “português das redes sociais” tenha democratizado o debate público e dado voz a grupos historicamente marginalizados, como comunidades quilombolas, indígenas e periféricas, a falta de domínio da linguagem formal ainda representa uma barreira de exclusão.

Para os especialistas, ensinar a grafia correta, a paragrafação e a argumentação é uma prática essencial e um ato de cidadania.

O domínio dessas habilidades permite que novas vozes influenciem o debate público de maneira eficaz, preservando suas identidades regionais e fortalecendo a comunicação em todas as esferas de poder.

Inovação Através da Desaceleração

Para enfrentar esses desafios, a Fundação Bradesco mantém um Programa de Leitura que beneficia mais de 42 mil estudantes, distribuindo quatro livros por ano para cada aluno. O acervo inclui sucessos como Harry Potter e clássicos da literatura, com o objetivo de criar vínculos afetivos com a leitura.

Monteiro afirma que ensinar crianças e jovens a desacelerar, refletir e desenvolver um pensamento mais profundo pode ser uma das inovações mais significativas que a escola pode oferecer atualmente.

O objetivo final é garantir que a literatura contemporânea continue a refletir o impacto social desses novos grupos, transformando a língua em um instrumento vivo de resistência e participação democrática.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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