CEO da Nestlé, Philipp Navratil, diz que guerra no Oriente Médio eleva custos e inflação

A empresa prevê repassar parte das despesas aos preços, cortar itens menos aceitos e rever produtos diante do alerta da FAO para nova inflação alimentar.

10/09/2026 12:31

3 min

Logotipo da Nestlé
Logotipo da Nestlé

A Nestlé está elevando preços, reformulando produtos e retirando do portfólio itens pelos quais os consumidores não aceitam pagar mais. A estratégia foi apresentada pelo presidente – executivo da companhia, Philipp Navratil, como resposta ao aumento dos custos de energia, frete e matérias – primas após o conflito no Oriente Médio.

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Em entrevista à Reuters na quarta – feira (9), Navratil afirmou que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que já dura seis meses, teve impacto direto limitado nas vendas da maior fabricante mundial de alimentos embalados. Por outro lado, o conflito pressiona os fornecedores e pode encarecer os insumos usados pela empresa.

Custos maiores chegam aos fornecedores

“Todos os nossos fornecedores terão algum aumento de custos”, disse Navratil. Na avaliação do executivo, parte dessas despesas será repassada à Nestlé, que terá de reduzir custos ou aumentar preços para preservar as margens.

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“Alguns desses (custos) virão até nós e teremos que mitigá – los, garantindo que os consumidores acompanhem caso tenhamos que aumentar preços”, afirmou o presidente – executivo.

Além dos reajustes, a Nestlé está modificando produtos e buscando “incansavelmente” economias. A companhia também pretende eliminar itens pelos quais os consumidores “não estão dispostos a pagar”, mas Navratil não informou quais produtos serão afetados.

O Oriente Médio responde por cerca de 2% a 3% do faturamento total da empresa suíça, que gira em torno de 90 bilhões de francos suíços (US 111 bilhões). Por isso, o impacto direto sobre as vendas é considerado limitado. “Mas haverá no que compramos, em termos de custos de insumos”, disse o executivo.

Inflação alimentar e revisão do portfólio

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) alertou que o mundo pode estar caminhando para mais um período de inflação alimentar. O índice que acompanha as variações mensais de uma cesta de produtos alimentícios comercializados internacionalmente registrou média de 131,1 pontos em julho, acima dos 130,3 pontos de junho e no nível mais alto desde janeiro de 2023.

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A Nestlé possui mais de 2.000 marcas, entre elas Nescafé, Maggi e Kit Kat. A companhia vendeu recentemente uma e também está deixando o negócio de vitaminas, dentro da revisão de seu portfólio e da tentativa de concentrar esforços nas principais marcas.

Navratil, responsável por simplificar o foco da empresa, afirmou que a Nestlé também pode comprar marcas. “Isso não significa que a Nestlé esteja apenas se desfazendo de ativos. Como sempre, estamos abertos a adquirir empresas que sejam estrategicamente importantes”, disse, sem dar detalhes.

Debate sobre rótulos na Índia

Em outro tema, Navratil defendeu a participação dos fabricantes de alimentos nas discussões sobre a proposta de incluir advertências para açúcar, sal e gordura na parte frontal das embalagens na Índia.

A Reuters noticiou em agosto que empresas faziam lobby contra esses avisos, de acordo com documentos e registros analisados. Navratil disse que a Nestlé já retirou milhares de toneladas de açúcar, sal e gordura de seus produtos.

O executivo, porém, afirmou que a rotulagem precisa ser feita da maneira correta e levar em conta o tamanho das porções. A empresa não apresentou detalhes adicionais sobre como pretende participar desse debate.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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