CCJ da Câmara adia de novo a votação da redução da maioridade penal após debate tenso

Pedido de vista levou a análise para 2 de junho; deputadas do PT e do Psol defenderam o ECA e o sistema socioeducativo.

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Foto: Reprodução

Debate adia a análise da proposta de redução da maioridade penal

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados novamente adiou a análise de uma proposta que visa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes graves. A decisão, tomada na quarta-feira, 27 de maio, foi motivada por um pedido de vista coletivo, após um debate acalorado entre os deputados.

A retomada da discussão ficou prevista para a terça-feira seguinte, 2 de junho.

Argumentos divergentes sobre a segurança pública

O debate central envolveu a discussão sobre a eficácia de medidas punitivas mais severas e a necessidade de abordar as causas estruturais da violência no Brasil. A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) criticou a proposta, argumentando que ela representa uma resposta ineficaz à crise de segurança pública.

Para Petrone, o sistema penal brasileiro se concentra em punições, sem lidar com as raízes da violência, que frequentemente afetam grupos vulneráveis.

Críticas rebatidas e defesa do ECA

A deputada Erika Kokay (PT-DF) rebateu as críticas ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), argumentando que a legislação não protege o crime e que o discurso de que a legislação protege o crime é utilizado para enganar a opinião pública.

Kokay defendeu investimentos no sistema socioeducativo, que, segundo ela, apresenta índices de recuperação superiores aos do sistema prisional comum. Ela ressaltou que o encarceramento precoce pode fortalecer facções criminosas.

Acusações e reflexões sobre a ressocialização

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) também se manifestou a favor do pedido de vista, reforçando que a direita utiliza o medo para defender respostas ineficientes para a segurança pública. Sâmia destacou que o sistema socioeducativo apresenta índices de ressocialização superiores aos do sistema prisional comum, citando dados que mostram uma taxa de reentrada de 23% no sistema socioeducativo, em comparação com 42% no sistema prisional adulto.

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Ela alertou para os impactos da punição precoce, ressaltando que ela não protege melhor e que o adolescente que pode acabar preso é, possivelmente, o negro, com várias violações de direitos sobre a sua vida e morador de favela.

Considerações finais

O adiamento da votação demonstra a complexidade do debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil. A discussão envolve questões importantes como a segurança pública, o sistema de justiça juvenil e a garantia dos direitos humanos. A CCJC terá a oportunidade de aprofundar a análise da proposta e considerar os diferentes pontos de vista antes de tomar uma decisão.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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