Caso Lulinha vira munição do PL, e PT contra-ataca com o filme “Dark Horse”
As investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), motivaram uma nova ofensiva da oposição contra o governo. Em reação, governistas voltaram a cobrar explicações sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL) que teria recebido recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Os dois casos são investigados pela Polícia Federal (PF) e só devem ser concluídos depois das eleições. Lulinha é alvo de três inquéritos por suspeita de tráfico de influência.
A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) trouxe alívio à campanha petista: Lula oscilou um ponto para baixo e tem 39% no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL). Foram ouvidas 2.058 pessoas em 18 e 19 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Lula tem dito que o filho deve estar à disposição da Justiça e responder por seus atos.
Ofensiva da oposição
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu a continuidade das apurações. No Congresso, o senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, articula uma comissão de inquérito sobre Lulinha, enviou ofício à PF pedindo informações sobre a localização dele, que mora em Madri, e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a preservação de provas. Para ser apresentado, o pedido precisa do apoio de ao menos 27 senadores e 171 deputados; Flávio Bolsonaro já assinou.
A instalação, porém, deve ter dificuldades no curto prazo, porque o período eleitoral esvazia o Congresso e depende do aval do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que voltou a se aproximar de Lula.
No sábado (22), Viana anunciou um pedido de convocação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com base em uma frente da PF que apura se Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger atuaram para favorecer Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em contratos de medicamentos à base de canabidiol.
Reação dos governistas
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), enviou na quinta-feira (20) ofícios à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo informações sobre o caso “Dark Horse”. Segundo reportagem do Intercept Brasil confirmada pela CNN, Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro o repasse de R$ 134 milhões para o filme. Em julho, o ministro André Mendonça autorizou a PF a investigar os repasses; o inquérito, sob sigilo, tenta rastrear cerca de R$ 61 milhões.
Em maio, Flávio disse estar “100% disposto” a tornar público o contrato e depois afirmou ter pedido à produtora Go Up Entertainment uma prestação de contas em 30 dias. Mais de 90 dias depois, ela ainda não foi divulgada.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi revisado e corrigido com base na fonte original.
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