Casas Bahia, com dívida de R$ 17,3 bilhões, tem recuperação judicial deferida em São Paulo

Grupo tem 30 dias para entregar documentos pendentes sob risco de revogação, e o plano ainda dependerá do aval dos credores; execuções seguem suspensas.

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Consumidores conversam com funcionário da Casas Bahia em loja da rede em São Paulo

A Justiça de São Paulo deferiu a recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e de outras nove empresas ligadas à varejista. A decisão é da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais e mantém suspensas as execuções contra o grupo.

O juízo deu à companhia prazo de 30 dias para entregar documentos que ainda faltam. Se isso não acontecer, o deferimento pode ser revogado. O plano de recuperação também precisa passar pela aprovação dos credores.

Dívidas somam R$ 17,3 bilhões

O pedido foi protocolado em 16 de agosto. Na ocasião, o Grupo Casas Bahia declarou dívidas de R$ 17,3 bilhões, das quais R$ 16,4 bilhões são quirografárias, ou seja, não têm garantia real.

A varejista disse viver “a pior crise financeira desde a sua fundação”. Entre as causas, citou a alta dos juros, a perda de poder de compra das famílias e o aumento da inadimplência.

O período de suspensão das execuções, de 180 dias, continua valendo. A contagem começou em 19 de agosto, data em que foi concedida a tutela cautelar.

Documentos pendentes não barraram o pedido

Para a Justiça, o grupo cumpre os requisitos para seguir com a recuperação, mesmo com pendências. Faltam as demonstrações de fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas e as projeções financeiras individualizadas. A relação de credores também precisa ser atualizada.

“Não se trata, portanto, de deficiência documental grave e absoluta, mas de questões individualizadas”, diz a decisão. Na avaliação do juízo, essas inconsistências podem ser corrigidas ao longo do processo.

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Perícia apontou queda de 40,5% nos estoques

O laudo pericial apresentado no início de outubro identificou pressão sobre o caixa da companhia. O documento registrou ainda queda de 40,5% no valor dos estoques entre abril e agosto e a redução de 4.647 pessoas no quadro de funcionários ao longo daquele mês.

A perícia confirmou, por outro lado, que a varejista continua operando, com lojas físicas, centros de distribuição e canais digitais em funcionamento. Com a decisão, o processo avança, mas o plano de recuperação ainda depende do aval dos credores.

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