“Mercado vai querer uma agenda fiscal crível”, diz Carlos Pessoa sobre o novo governo Lula
O mercado financeiro reagiu com cautela à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Analistas apostam que o novo governo terá de lidar com desafios fiscais e com negociações em um Congresso Nacional considerado mais à direita.
Carlos Pessoa, da Vêneto Family Office, avalia que a questão fiscal deve seguir no centro do debate. Segundo ele, o pregão de segunda-feira (26) reuniu tanto movimentos especulativos quanto posições de longo prazo, sobretudo de investidores estrangeiros que reduziram sua exposição ao Brasil.
Mercado não deve dar um voto de confiança ao novo governo
Pessoa lembrou que a discussão fiscal dominou o mandato iniciado em 2023 e que ainda se estende até o fim deste ano. Para ele, a trajetória da dívida pública “se descontrolou em algum momento”, e os agentes de mercado acompanham de perto os nomes que vão compor a nova equipe.
Ao contrário do que ocorreu no início do governo anterior, o mercado não deve conceder o benefício da dúvida desta vez. “O mercado financeiro vai querer uma agenda fiscal crível para vermos o dólar com patamares menores, bolsa para cima e o juro futuro se acomodando um pouco mais”, disse o analista.
Juros futuros têm pouco espaço para cair
No cenário-base do analista, o governo atual dá continuidade à sua linha, o que implica uma agenda fiscal mais gradual do que o mercado esperava. Nesse quadro, a renda fixa tende a ganhar destaque, já que os juros futuros têm pouco espaço para recuar, e os juros nos Estados Unidos podem atrapalhar ainda mais.
Pessoa afirmou que o CDI elevado e a Selic alta devem persistir, o que torna a renda fixa e a dolarização alternativas relevantes para o investidor. Para quem aceita mais risco, ele citou a possibilidade de aproveitar ativos de qualidade que sofreram desvalorização, desde que o investidor aceite a volatilidade. “Um pouco mais de juros, dólar, essa leitura inicial e para quem tiver apetite a risco, aproveitar essas oportunidades”, resumiu.
O analista também alertou que juros altos tendem a pesar especialmente sobre empresas de menor capitalização listadas no Ibovespa.
Nomes cotados para a equipe econômica geram dúvidas
Pessoa comentou os nomes cotados para compor a equipe econômica, como Rafael Fonteles, Gabriel Galípolo e Geraldo Alckmin. Na avaliação dele, uma nomeação nesses moldes representaria continuidade em relação ao governo anterior. “Se essa nomeação vier nessa linha, eu acho que é continuidade do Lula 3. Isso é uma sinalização que a gente não vai ter um perfil parecido com o que foi feito com a Dilma, com o Joaquim Levy”, disse.
Ele concluiu que tudo pode mudar conforme as nomeações e as sinalizações do novo governo. Ainda assim, o cenário-base da Veneto Family Office não contempla grandes ajustes fiscais.
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Redação Economia
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