Cariani pode pegar até 51 anos de prisão após denúncia do Ministério Público de São Paulo
O Ministério Público de São Paulo denunciou o influenciador e empresário Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e tráfico de matéria-prima usada na fabricação de drogas. Se for condenado, ele pode pegar uma pena de até 51 anos de prisão.
A denúncia também atinge Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Cariani já havia sido indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023, suspeito de fazer parte de um esquema que desviava insumos químicos para o narcotráfico. Segundo a investigação, o material tinha como destino principal a produção de cocaína e crack.
Papel de cada denunciado no esquema
Fábio, além dos crimes listados na denúncia, aparece como intermediador do fornecimento das substâncias químicas. Já Rodrigo, de acordo com a investigação, cuidaria da movimentação e da circulação de recursos ilícitos.
Cariani é apontado como alvo da Operação Hinsberg, que atingiu o mesmo grupo e levou à apuração dos desvios.
Defesa diz que acusações são improcedentes
Em nota enviada ao G1, a defesa de Cariani afirmou que o pedido do Ministério Público “não representa surpresa”. Os advogados disseram que pretendem demonstrar “com base na prova produzida ao longo da instrução” que as acusações não procedem.
No trecho final da nota, a defesa demonstra confiança no Judiciário: “Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”.
Como a Operação Hinsberg desmontou o esquema
Em 12 de dezembro de 2023, a Operação Hinsberg desarticulou um esquema que desviava produtos químicos para a fabricação de drogas. Segundo a polícia, o grupo emitia notas fiscais falsas em nome de empresas licenciadas para vender esses produtos em São Paulo.
Para concretizar as vendas, o esquema usava laranjas que faziam depósitos em espécie, fingindo ser funcionários de grandes multinacionais. Essas empresas apareciam como compradoras nas operações, embora não tivessem participado delas. Ao todo, 59 transações ligadas ao grupo foram rastreadas pelos investigadores.
Nesse período, 12 toneladas de produtos químicos foram desviadas, entre elas fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila. A quantidade, segundo a investigação, seria suficiente para produzir mais de 19 toneladas de cocaína e crack prontas para consumo.
Relação com policial civil investigado
Mensagens extraídas do celular de Cariani mostram que ele mantinha uma relação próxima com o policial civil André Dziuba, que atuava na fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas. Pelo que apontam os investigadores, Cariani recebia informações sobre diligências da polícia e opinava sobre determinadas ações.
Ainda segundo os investigadores, o empresário chegou a indicar empresas que poderiam ser alvo de fiscalização. Não é claro se a intenção era desviar o foco do esquema ou prejudicar eventuais concorrentes.
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