Calendário eleitoral na Colômbia: a polêmica camisa da seleção e De la Espriella

Calendário Eleitoral e Futebol na Colômbia
As autoridades eleitorais da América do Sul podem precisar considerar o calendário do futebol ao agendar as próximas eleições. A Colômbia nos oferece um exemplo claro, onde a empolgação pela primeira participação da seleção nacional na Copa do Mundo desde 2018 se refletiu na política antes das eleições, marcadas para 21 de junho.
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Um juiz em Bogotá, a capital colombiana, decidiu proibir o candidato favorito, De la Espriella, de usar a icônica camisa amarela da seleção nacional.
Nos últimos dias, De la Espriella e seus apoiadores têm utilizado a camisa em comícios e nas redes sociais. O candidato, um nacionalista conservador que adota uma retórica similar à do movimento MAGA, vê a camisa de futebol como um símbolo nacional, comparável à bandeira ou às Forças Armadas, representando suas aspirações políticas.
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Antes do primeiro turno, que ocorreu em 31 de maio, ele incentivou seus eleitores a comparecerem às urnas vestindo a camiseta, desafiando as regras que proíbem campanhas no dia da eleição.
Controvérsias e Decisões Judiciais
Críticos, incluindo o rival de esquerda Iván Cepeda, levantaram questões sobre a politização do vestuário esportivo, argumentando que a camisa deveria ser um símbolo pertencente a todos os colombianos. A juíza Aura Forero foi além e considerou o uso da camisa “impróprio”, proibindo De la Espriella de utilizá-la em contextos políticos.
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A decisão judicial argumenta que o uso da camisa para fins políticos compromete a igualdade de condições entre os candidatos.
O fenômeno do uso de símbolos esportivos na política não é novo. Silvio Berlusconi, por exemplo, construiu sua carreira política em parte com o sucesso do AC Milan, clube que possuía. Na Venezuela, a camisa da seleção também foi utilizada tanto por Nicolás Maduro quanto por líderes da oposição.
Recentemente, vídeos antigos de políticos colombianos usando a camisa da seleção ressurgiram nas redes sociais, evidenciando a controvérsia em torno do tema.
Desafios Futuros
A chefe de campanha de Cepeda, María José Pizarro, usou a camisa durante as eleições legislativas de 8 de março, e o presidente Gustavo Petro também foi visto com a camisa em um evento após a decisão da juíza. A dúvida agora é se a escolha de vestimenta do presidente será considerada uma infração, já que ele não estava em um evento político.
Com a Copa do Mundo se aproximando e as eleições na Colômbia marcadas para 21 de junho, De la Espriella classificou a decisão judicial como um ataque às liberdades individuais. Seus apoiadores convocaram um “Dia da Bandeira” para este sábado (6), incentivando todos a vestirem a camisa da bandeira.
Diante de 10 milhões de votos recebidos no primeiro turno, será um desafio para as autoridades multar aqueles que usarem camisetas em público durante a Copa do Mundo.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



