Caixa tem lucro recorrente de R$ 3,9 bilhões no 2º trimestre de 2026

Lucro sobe 5,9% em um ano, mas inadimplência e provisões crescem.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal divulgou nesta quarta-feira 26 os resultados do segundo trimestre de 2026 e registrou um lucro líquido recorrente totalizando R$ 3,9 bilhões. Esse valor representa uma elevação significativa de 5,9% em comparação com o mesmo período no ano anterior.

Houve forte expansão do crédito, especialmente imobiliário, mas o banco também apontou aumento da inadimplência e da necessidade de provisões.

Crescimento do Crédito Impulsa Carteira Total

O principal motor financeiro manteve-se sendo os serviços de crédito. A carteira de crédito chegou a R$ 1,448 trilhão em junho, alta de 11,9% em 12 meses e de 2,7% no trimestre.

No crédito imobiliário, em que a Caixa é líder, as contratações somaram R$ 137,6 bilhões entre abril e junho, alta de 29,3% em um ano.

O segmento representa cerca de 68% da carteira do banco.

Outros setores também registraram crescimento robusto em suas operações financeiras. O crédito a pessoas físicas chegou a R$ 156,5 bilhões, alta de 8,7% em 12 meses. Já no âmbito empresarial, a concessão para empresas somou R$ 113,9 bilhões, refletindo uma expansão mais modesta na ordem de 6,5%, mas ainda assim positiva.

Aumento das Provisões e Riscos por Inadimplência

Em contrapartida ao bom desempenho da carteira creditícia, os índices de risco apresentaram sinais claros de deterioração que exigiram atenção do banco. O índice geral de operações com atraso superior a noventa dias saltou para 3,64% neste trimestre; um número consideravelmente maior se comparado aos 2,66% registrados há exatamente um ano no mesmo período.

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O ponto nevrálgico desse aumento foi o setor agropecuário (agronegócio). A inadimplência no agronegócio chegou a 20,74%, bem acima da registrada no primeiro trimestre e nos demais segmentos.

Entre as pessoas jurídicas, os atrasos ficaram em torno de 14,05%.

Impacto da Gestão do Risco

Diante dessa elevação percebida no risco geral concedido aos clientes, a Caixa ampliou significativamente seus recursos destinados para cobrir possíveis perdas futuras com crédito mal empregado (provisões). A despesa total atingiu o valor expressivo de R$ 6,97 bilhões apenas neste segundo trimestre.

Este montante representa um salto impressionante na comparação anual — uma alta gritante de quase cem por cento (97,6%) em relação ao mesmo período passado. O banco justificou essa medida apontando que sua forte concentração operacional nos financiamentos habitacionais e nas operações garantidas ajuda justamente a estabilizar as expectativas sobre os créditos futuros esperados no mercado financeiro brasileiro.

Rentabilidade Recua Apesar do Lucro

Apesar dos números positivos apresentados pelo lucro líquido recorrente trimestralmente, o retorno geral da instituição sofreu retração quando analisado sob outra ótica: elevações operacionais versus patrimônio próprio. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu para 9,16%, abaixo do registrado em junho de 2025.

A receita com serviços somou R$ 7,54 bilhões no período, alta de 12,9% em um ano. Contudo, as despesas administrativas também cresceram anualmente, chegando ao patamar de R$ 11,44 bilhões.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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