Cade proíbe Sport Media de impedir saída de clubes da FFU
Em decisão de 25 de junho, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) proibiu a empresa Sport Media Entertainment de criar obstáculos à saída dos clubes da liga Futebol Forte União (FFU). A medida prevê multa diária de R$ 250 mil em caso de descumprimento.
Em parecer divulgado em 27 de junho pelo escritório VMCA Advogados, diretorias como as de Cuiabá, Vila Nova e Atlético-GO encontraram respaldo na determinação. O documento afirma que tal decisão encontra apoio tanto nos princípios concorrenciais quanto nas práticas decisórias do próprio órgão regulador.
Riscos jurídicos no modelo de governança
O estudo identificou dois pontos considerados riscos na estrutura jurídica da FFU (Futebol Forte União). Primeiro, a cessão dos direitos de transmissão à Sport Media por 50 anos, até 2074, sem mecanismo claro de saída para os clubes.
Os advogados destacam ainda a regra que exige quórum de 90% nas decisões do condomínio. Esse requisito confere poder excessivo e veto sobre os demais oito grupos representados pelos próprios clubes aos detentores apenas de vinte pontos percentuais da empresa Sport Media Entertainment.
O papel estratégico dos “gatekeepers”
Além disso, a Sport Media teria nomeado unilateralmente uma administradora para o condomínio Forte União, a Live Mode, e definido quem venderá os direitos sem consultar todos os clubes. Essa situação torna a companhia um verdadeiro “gateway” (porteiro) do acesso às transmissões das Séries A e B. Segundo a VMCA Advogados, essas cláusulas geram desequilíbrio na relação da FFU com os clubes.
Pressão dos clubes por mudanças
O parecer recomenda que seja proposto ao Cade ajustes nas regras internas; especificamente, sugerindo suprimir o prazo exclusivo de cinquenta anos para transmissão e ajustar as normas gerais de governança condominial entre os times envolvidos no arranjo.
Caso a Sport Media não aceite as mudanças, o parecer aponta como alternativa a saída formal dos clubes.
A intervenção preventiva também foi motivada pela atuação anterior na própria autarquia reguladora. O então superintendente-geral Alexandre Barreto acolheu a representação de um dos clubes contra a Sport Media, por entender que isso preservaria “a contestabilidade” no setor.
Essa medida expôs as tensões internas da liga de futebol e levou diretorias importantes — como Botafogo, Cruzeiro, Goiás e Corinthians— a notificarem extrajudicialmente a FFU pedindo mudanças no modelo atual de governança adotado pelo arranjo.
O dirigente do Cuiabá Cristiano Dresch informou que os clubes vão convocar uma assembleia para definir sua posição após a decisão do Cade.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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