CA tem lucro 145% maior no 3T26 e ação chega a subir 10,43% na bolsa

Bradesco BBI e XP veem balanço acima do esperado, com margem bruta de vestuário de 56% e caixa livre de R$ 152 milhões, mas alertam para 2027 desafiador.

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C&A | Foto: Reprodução/Money Times
C&A | Foto: Reprodução/Money Times

As ações da CA (CEAB3) reagiram com força ao lucro líquido de R$ 170,3 milhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), um salto de 145% sobre os R$ 69,5 milhões do mesmo intervalo de 2025. Por volta de 12h20 (horário de Brasília), os papéis lideravam as altas do Ibovespa (IBOV), com avanço de 7,20%, cotados a R$ 7,30.

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Na máxima do dia, até aquele horário, a valorização chegou a 10,43%.

Bradesco BBI vê resultado acima das expectativas

Para o Bradesco BBI, a varejista entregou um trimestre sólido, superando as projeções em um cenário difícil. O destaque veio da margem bruta de vestuário, que chegou a 56%, puxada pela estratégia “Full Power” e por contribuição cambial positiva.

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As vendas nas mesmas lojas (SSS) de vestuário também surpreenderam o banco, com alta de 1,0%, o que reflete a volta do fluxo de clientes. A geração de caixa livre, de R$ 152 milhões no trimestre, apareceu como outro ponto forte, mesmo com mais gastos em Capex (investimentos) para reformas e expansão e maior pressão sobre o capital de giro.

“O saldo do trimestre é positivo, com a empresa entregando resiliência em métricas operacionais importantes e forte geração de caixa. Embora o valuation atual (cerca de 4x p múltiplo PL para 2027) embuta muito pessimismo e o cenário para 2027 seja desafiador para o setor, a capacidade da CA de superar seus pares pode sustentar seus múltiplos e reduzir a percepção de risco”, dizem os analistas.

XP e BTG destacam recuperação esperada para o quarto trimestre

A XP Investimentos classificou o balanço como fraco, mas melhor do que o esperado. A margem bruta de vestuário voltou a surpreender para cima e, somada a receitas mais fortes do CA Pay, compensou as despesas com vendas maiores. Com isso, o Ebitda ajustado ficou 11% acima da estimativa da casa, embora tenha recuado 8% na comparação anual por causa de investimentos não recorrentes em marketing.

Na avaliação da XP, a receita do período foi fraca, e os investidores devem seguir de olho nos estoques ainda elevados e na recuperação prevista para o quarto trimestre. “A empresa destacou uma inflexão no tráfego em meados de setembro, enquanto a reabertura de lojas reformadas e uma base de comparação mais fácil, com celulares saindo da base e um 4T25 fraco, devem atuar como ventos favoráveis. Mantemos nossa recomendação de compra”, diz a XP.

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Já o BTG Pactual, mesmo vendo juros persistentemente elevados pressionando o consumo, segue construtivo com a execução da CA, especialmente no programa contínuo de renovação de lojas e no foco disciplinado em rentabilidade. A remuneração aos acionistas, segundo o banco, adiciona um suporte extra à tese. A recomendação do BTG para CEAB3 é de compra, com preço-alvo de R$ 19.

Lucro reportado sobe com créditos fiscais, mas ajustado cai 23,3%

O salto de 145,1% no lucro líquido reportado foi impulsionado pelo reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins, decorrentes de avaliações jurídicas sobre insumos essenciais. Descontado esse efeito, o lucro líquido ajustado pós-IFRS 16 recuou 23,3%, para R$ 56,5 milhões, ante R$ 73,6 milhões no mesmo período do ano anterior.

A receita líquida consolidada avançou 2,3% na comparação anual, para R$ 1,88 bilhão. O crescimento veio sobretudo da receita de vestuário, que somou R$ 1,69 bilhão (alta de 2,6%), em meio a juros altos, endividamento das famílias e fatores transitórios ligados à Copa do Mundo na primeira metade do trimestre.

A melhora gradual do fluxo a partir de setembro, com a chegada da nova coleção de verão e a disciplina na gestão de estoques, ajudou a companhia a registrar sua 21ª expansão trimestral consecutiva na margem bruta de vestuário, que atingiu 56,0% (avanço de 0,6 pp.). A precificação dinâmica e os primeiros benefícios da nova estratégia logística também contribuíram.

Canal digital cresce 27,6% e Ebitda ajustado recua

O canal digital, que reúne site e aplicativo, cresceu 27,6% e chegou a 8,0% das vendas de mercadorias. Segundo a companhia, melhorias na jornada de compra de dois cliques e iniciativas de social commerce impulsionaram o resultado.

Por outro lado, o Ebitda ajustado pós-IFRS 16 caiu para R$ 317,6 milhões, com margem de 16,9%. A companhia atribui a queda aos investimentos não recorrentes em marketing, concentrados nas comemorações dos 50 anos da marca no Brasil e na participação no festival Rock in Rio.

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