C&A tem lucro ajustado 23% menor, mas supera estimativas de analistas e vê ações subirem

Margem bruta sobe pelo 21º trimestre seguido, e o CEO Paulo Correia atribui o avanço ao controle de despesas.

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CEO da C&A, Paulo Correia | Foto: Reprodução/CNN Brasil

A C&A registrou lucro líquido ajustado de R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com o recuo, o resultado ficou acima das estimativas dos analistas e impulsionou as ações da companhia.

No consolidado, o lucro líquido da varejista chegou a R$ 170,3 milhões no trimestre, alta de 145% ante os R$ 69,5 milhões do terceiro trimestre de 2025. A receita líquida consolidada somou R$ 1,88 bilhão, e a receita líquida de vestuário subiu 2,6%, para R$ 1,7 bilhão.

Margem bruta avança pelo 21º trimestre seguido

Em entrevista ao CNN Money, o CEO Paulo Correia afirmou que a companhia ampliou a margem bruta em 0,6 ponto percentual no trimestre. Com isso, o indicador acumula 21º trimestre consecutivo de crescimento.

Segundo o executivo, o desempenho veio do controle de despesas e da estratégia de oferecer coleções alinhadas à demanda dos consumidores. Ele reconheceu, porém, que o cenário macroeconômico pesa sobre o bolso das famílias.

“Apesar de todo o desafio do cenário macroeconômico, que obviamente impacta o consumo das famílias, a C&A vem fazendo um trabalho de trazer essa dinâmica de sortimento de produtos de relevância das coleções com muita força”, afirmou.

Correia também admitiu que parte do avanço do lucro teve influência de efeitos não recorrentes, como o reconhecimento de créditos fiscais no período. Ainda assim, disse que a situação de caixa permite manter os investimentos e sustentar os planos de crescimento para os próximos trimestres.

C&A Pay segue com crédito conservador em meio a juros altos

O C&A Pay, cartão digital próprio da varejista lançado em 2021, registrou resultado superior a R$ 20 milhões no terceiro trimestre de 2026. A operação usa tecnologia para avaliar a capacidade de pagamento dos clientes e orientar a concessão de crédito.

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“A gente não quer dar um crédito oportunista, a gente quer dar um crédito que seja realmente um facilitador para quem está com a vida organizada e conseguindo fazer um caminho de pagamento consistente”, afirmou Correia.

Diante dos juros elevados no Brasil, o executivo sinalizou que a companhia pretende manter uma política conservadora de crédito, com foco no controle da inadimplência e na sustentabilidade dos resultados. A estratégia, segundo ele, está alinhada ao planejamento de longo prazo, com metas até 2030.

Nova recompra de ações depende do mercado

Sobre o programa de recompra encerrado recentemente, Correia avaliou que a iniciativa trouxe retorno positivo. Uma nova operação, porém, vai depender das condições do mercado, do preço dos papéis e das oportunidades de investimento disponíveis.

“Estamos considerando, vamos continuar considerando, dentro de um modelo de alocação de capital, a possibilidade de abrir um novo programa de recompra”, declarou.

Para o quarto trimestre de 2026, que concentra Black Friday e Natal, o CEO se disse otimista. Ele afirmou que dezembro costuma registrar receita equivalente ao dobro de um mês comum, e que a companhia já viu crescimento mês a mês ao longo do terceiro trimestre.

“A gente está muito bem preparado e está muito otimista para esse quarto trimestre, esperando acelerar o crescimento comparativamente com o terceiro trimestre”, afirmou.

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