Crise do impeachment de Peña é pior que a de 2012 porque atinge metade dos paraguaios, diz Bressan

Depósitos de US$ 850 milhões no Ueno Bank, quase metade ligados à previdência e à saúde pública, ameaçam correntistas e aposentados.

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A bandeira da República do Paraguai | Foto: Getty Images

A professora de Relações Internacionais da UNIFESP Regiane Bressan alertou, em entrevista ao Hora H, que a crise política e financeira no Paraguai afeta diretamente os correntistas do Ueno Bank, os aposentados e a política de saúde pública do país.

A crise foi desencadeada pelo impeachment do presidente paraguaio, Santiago Peña.

Na avaliação da especialista, os efeitos vão muito além do campo institucional e podem atingir diretamente a população paraguaia.

Depósitos de US$ 850 milhões ligados à previdência

Bressan explicou que Peña foi acionista do Ueno Bank, banco paraguaio, até março de 2025. Segundo ela, foram realizados depósitos de aproximadamente US$ 850 milhões na instituição.

“Quase metade desse valor era ligado à previdência social e saúde pública do país”, afirmou a especialista, ao apontar a dimensão do problema para a população paraguaia.

Crise é considerada mais grave que episódios anteriores

Para Bressan, a crise atual se diferencia de outros episódios de instabilidade política no país. O Paraguai já passou por saídas antecipadas de presidentes, como em 1999 e em 2012, quando Fernando Lugo sofreu impeachment. Ainda assim, a situação de agora é considerada mais grave.

“Agora a crise é maior porque ela afeta praticamente metade da população paraguaia, população que é correntista do banco”, disse a professora.

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A especialista também ressaltou que as instituições democráticas do Paraguai são historicamente frágeis e que a crise representa um grande teste para elas. “Conseguimos agora entender qual é o tamanho da crise que vai afetar não apenas os correntistas do banco, mas também aposentados e a própria política de saúde pública do Paraguai”, afirmou Bressan.

Para ela, a dificuldade em lidar com esse cenário pode fragilizar ainda mais as instituições do país.

Trump perde aliado e China vê espaço no Paraguai

Bressan também analisou as consequências geopolíticas. Com a saída de Peña, o presidente americano, Donald Trump, perde um aliado estratégico na região. O Paraguai vinha sendo considerado para receber empresas de tecnologia, atraídas pelos recursos naturais baratos do país, especialmente a energia elétrica.

“Além da crise no país, temos a maior dificuldade de Trump exercer toda essa influência na região”, avaliou a especialista.

Diante do vácuo deixado pela instabilidade, Bressan vê uma oportunidade para a China ampliar sua presença no Paraguai. “Ao meu ver, é mais uma oportunidade para a China se fazer presente, ajudar o Paraguai, que vai precisar de muita ajuda econômica e, claro, aproveitar-se dessa situação, inclusive para ter acesso aos recursos que o Paraguai dispõe”, concluiu a professora.

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