Braskem enfrenta novo desafio: credor precisa ceder para aprovar recuperação extrajudicial

A Braskem iniciou formalmente um processo complexo após sua tentativa de recuperar – se por meio do mecanismo de recuperação extrajudicial.
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Essa negociação envolve credores importantes da petroquímica brasileira e visa reestruturar cerca de R 50 bilhões em passivos financeiros. No entanto, os bastidores revelam que a discussão não é apenas sobre necessidade financeira; ela se concentra no formato ideal para dividir essa conta gigantesca entre as partes envolvidas na empresa acionária.
O desafio dos acordos com grandes credores
Para protocolar o acordo dentro desse regime especial, era crucial obter apoio mínimo de um terço total dos créditos incluídos nos planos negociados pela Braskem. Agora, esse patamar exigido saltou drasticamente: será necessário superar mais de metade (cinquenta por cento) do valor da dívida representada pelos credores aderentes ao plano inicial.
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Apesar das conversas conduzidas há meses e a inclusão já no pacto de uma parcela significativa dos kreditores dispostos aos termos propostas, os próximos três meses serão dedicados à conquista daqueles que ainda não se manifestaram ou recusaram as condições apresentadas na negociação até o momento.
Debates sobre formatos financeiros
O formato ideal para reestruturar R 50 bilhões em passivos?
Petrobras e IG 4 Capital são acionistas com grande peso nas discussões. Ambos buscam preservar suas participações societárias sem aumentar excessivamente sua exposição ao setor petroquímico brasileiro neste período de transição da companhia.
Os detentores dos títulos (bondholders), responsáveis por cerca de setenta por cento do volume total dessa dívida, estão atentos à capacidade real de pagamento da Braskem no futuro financeiro. Eles resistiram a soluções que apenas adiassem os vencimentos ou alongassem o prazo das obrigações existentes na empresa em vez de promover uma redução efetiva nos valores devidos.
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Quais são as alternativas para reduzir passivos?
Uma solução focada unicamente no adiamento e carência é aquela alternativa menos disruptiva quanto ao quadro acionário atual. Contudo, essa opção só agrada aos próprios investidores com peso nas negociações; ela não convence credores mais exigentes do mercado financeiro.
O problema reside no fato de que a Braskem poderia obter apenas alongamentos financeiros ou prazos maiores enquanto tenta recuperar sua geração operacional de caixa — mas os kreditores duvidam se o cenário da empresa estará realmente diferente após esse período.
Para que ocorra o acordo formalmente no âmbito extrajudicial, seria necessário retirar dívida diretamente dos balanços contábeis. Para isso, parte dessa obrigação se transformaria numa participação acionária futura dentro valorizada pela companhia brasileira
No entanto, essa conversão implica diluição para os atuais detentores das ações (acionistas), um ponto sensível em qualquer reestruturação corporativa Petroquímica é a principal investidora da empresa; esse fato confere à estatal mais do que uma maneira única de participar e influenciar positivamente todas as etapas desta solução complexa na Braskem Brasil SA.
Mas também estabelece limites claros sobre o quanto ela pode aceitar ou propor neste processo delicado no ano eleitoral brasileiro atual
Se fosse proposto apenas aporte direto de capital novo seria saída direta viável por aumentar muito sua exposição numa companhia passando pela recuperação estrutural com bilhões envolvidos, algo particularmente complicado para quem foi formado pelo histórico privatizacional petroquímico nacional Por outro lado, se for considerada a conversão da dívida em ações sem exigir dinheiro fresco é um alívio que ajuda desalavancar os passivos; contudo, isso abriria espaço significativo do crédito dentro das cotas acionárias e reduziria ainda mais o percentual dos atuais sócios na empresa
A Petrobras também resiste veementemente à essa alternativa
Visões de credores especializados
Sem uma redução efetivamente negociada na dívida em si, sem venda relevante de ativos operacionais nem entrada substancial de capital novo e melhoria estrutural comprovável nos processos produtivos, parte dos bondholders considera alto demais o risco. Eles temem simplesmente transferir exatamente as mesmas discussões para alguns anos adiante, um movimento considerado pouco atraente pelo mercado financeiro. Por essa razão, a conversão desses títulos (dívidas) em ações é considerada entre os caminhos mais discutidos neste tipo complexo processo reestruturador do setor corporativo brasileiro. O papel da Petrobras nas negociaçõesA posição estratégica de Porto Alegre e Rio de Janeiro: Petróleo na Braskem?
Credores experientes analisam riscos no mercado financeiro global
O Elliott Investment Management e a SVP Global são investidores com experiência consolidada para comprar títulos mesmo durante períodos extremos de estresse econômico ou em processos complexos como reestruturações corporativas. A presença desses fundos profissionais diminui drasticamente as margens negociatórias, impedindo que os acordos se baseiem apenas nas expectativas futuras sobre o bom desempenho do negócio da empresa brasileira. Eles calculam minuciosamente quanto vale hoje; qual pode ser seu valor após uma grande reorganização financeira; e até quantos volumes dívida essa operação consegue suportar.
Por sua vez, IG 4 está na ponta oposta dessa equação negocial e administra a participação acionária vinculada às antigas obrigações de cinco bancos diferentes em relação à Braskem Brasil SA. O interesse desse gestor é evitar qualquer cenário onde aquela administração seja excessivamente diluída caso haja conversão dos títulos para ações no processo reestruturador completo.
Desafios operacionais que pesam nas contas
Fatores externos limitam o prazo negociatório da companhia petroquímica
Os problemas enfrentados pela empresa vão muito além apenas do seu quadro financeiro interno. Nos últimos anos, a geração operacional foi pressionada por grandes desembolsos relacionados ao projeto de Maceió; paralelamente com isso ocorreu um ciclo global em baixa das margens dentro todo mercado petroquímico.
A pressão é reforçada pelo fato de produtores americanos e também os países localizados no Oriente Médio terem vantagens claras nos custos dos insumos primários.
Além disso, há uma oferta crescente vinda da capacidade expandida na China para atender o setor que já enfrenta dificuldades significativas sobre seus preços globais atuais. Esses fatores externos são exatamente aquilo que pesa nas contas detalhadas pelos credores quando analisam qualquer proposta prolongando prazos ou alongamentos financeiros: não existe nenhum evento novo capaz de justificar mais tempo como desejam IG 4 Capital e Petrobras Brasil SA neste momento específico do mercado petroquímico brasileiro.
O resultado final dependerá diretamente quanto cada parte estará disposta a ceder em negociação firme com objetivo tornar essa dívida grande sustentável.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



