Mesmo sendo potência exportadora, Brasil vê carne, frango e açúcar subirem por causa do dólar

Mesmo sendo um dos grandes produtores e exportadores de alimentos do mundo, o Brasil vê carne, frango e açúcar ficarem mais caros para o próprio consumidor. A explicação está na valorização do dólar e nos seus reflexos sobre as commodities, movimento que o mercado financeiro acompanha de perto.
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O tema foi discutido na Casa Clear 2026, onde Rafael Perretti, economista da Clear Corretora, concedeu entrevista ao InfoMoney.
Em um momento de maior incerteza fiscal e oscilações da moeda americana, o comportamento das commodities passa a pesar tanto para quem compra alimentos quanto para quem investe.
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Como o câmbio pressiona os alimentos
O risco de encarecimento dos alimentos está ligado à participação do Brasil no comércio internacional. Como várias matérias-primas são negociadas em dólar, a alta da moeda americana pode mudar a formação de preços e a rentabilidade das exportações.
“Boa parte das commodities que a gente tem são dolarizadas, dessa forma as empresas exportadoras podem preferir exportar esses produtos”, explica Perretti.
No caso da carne bovina, a valorização cambial aumenta a remuneração em reais dos exportadores, o que torna as vendas internacionais mais atraentes. Com isso, os preços internos também podem subir. “A gente pode olhar para as carnes, a partir do boi gordo, com o dólar alto os frigoríficos podem optar mais pela exportação da carne”, afirma o economista.
O frango também sente essas oscilações. O milho, usado na alimentação das aves, é um dos componentes da cadeia produtiva, e sua valorização pode elevar os custos dos produtores. “Podemos olhar até mesmo para o frango, porque temos o milho como uma commodity que também pode sofrer alta de preço”, aponta Perretti.
O açúcar também entra nessa lista de alimentos que reagem ao câmbio.
Para o economista, o impacto não fica restrito a uma única cadeia. “Todos os produtos que têm relação com as exportações e suas cotações em dólar podem sofrer impactos significativos nos preços aqui no Brasil.”
Dólar alto acende alerta para inflação e juros
Os efeitos da valorização cambial podem ir além da prateleira e chegar a indicadores importantes da economia. Quando o custo de produtos ligados ao dólar sobe, cresce o risco de repasse ao consumidor. “Um dólar elevado traz um carrego inflacionário”, alerta Perretti.
A combinação de dólar alto e risco inflacionário também chama a atenção do mercado de juros futuros. Preocupados com as contas públicas, os investidores revisam suas expectativas para a trajetória dos juros no Brasil. “A gente já viu os DI’s futuros acelerando seu movimento comprador vindo exatamente dessa expectativa”, relata o economista.
O aumento do risco fiscal também pode elevar a remuneração exigida para financiar o governo, o que pressiona os juros de mercado. Ao mesmo tempo, a inflação se torna um desafio extra para a política monetária. “Os investidores exigem mais do governo para comprar seus títulos, visto que ele está em um déficit elevado, em um gasto público muito elevado.”
Uma pressão inflacionária persistente pode dificultar reduções da Selic, embora as decisões dependam de outros indicadores. “A gente tem um risco fiscal que traz uma elevação do dólar e traz uma inflação que puxa a nossa taxa de juros básica”, conclui Perretti.
Editoria:
Redação Economia
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