Bicheira-do-Novo-Mundo é detectada no Texas e especialistas em alerta; entenda o risco

A detecção da bicheira-do-novo-mundo no Texas levanta preocupações sobre a saúde animal e os riscos à agricultura. Quais são as implicações desse ressurgimento?

12/06/2026 19:46

5 min

Bicheira-do-Novo-Mundo é detectada no Texas e especialistas em alerta; entenda o risco
(Imagem de reprodução da internet).

Detecção de Bicheira-do-Novo-Mundo no Texas Preocupa Especialistas

Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou a identificação de um caso de bicheira-do-novo-mundo em um bezerro no Texas, o que não surpreendeu o ecologista Jeremy Radachowsky. Diretor da Wildlife Conservation Society para a Mesoamérica e o Caribe Ocidental, Radachowsky já havia alertado sobre o ressurgimento da mosca-da-berne, uma espécie com um ciclo de vida peculiar.

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As larvas dessa mosca se desenvolvem exclusivamente em feridas de animais de sangue quente, como vacas, cães, cavalos e até humanos.

Embora ambas as infecções sejam causadas por ectoparasitas, a bicheira e a berne têm características distintas. A berne é provocada pelas larvas da mosca-varejeira dermatobia hominis, que penetram na pele e levam alguns dias para se desenvolver. Por outro lado, a bicheira é causada pela mosca Cochliomyia hominivorax, que se atrai por cortes e ferimentos, depositando ovos em machucados, como os umbigos de bezerros recém-nascidos.

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As larvas se alimentam do tecido vivo, causando inflamação e mau cheiro, o que atrai mais moscas.

Retorno da Mosca-da-Berne e Seus Efeitos

O parasita havia sido erradicado anteriormente na América do Norte e Central por meio de um programa de esterilização de moscas, que durou décadas e foi liderado pelos Estados Unidos. No entanto, Radachowsky e outros pesquisadores alertam que o contrabando ilegal de gado tem acelerado o retorno da mosca-da-berne à América Central.

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Desde então, a praga se espalhou para o norte, alcançando o México, Texas e, recentemente, o Novo México.

O tráfico de gado é um problema persistente na América Central, onde grupos criminosos contrabandeiam animais, alguns portadores da mosca-varejeira, através das fronteiras sem os devidos exames sanitários, conforme um relatório de 2022 do think tank InSight Crime.

Esse tráfico não apenas gera lucros, mas também permite que grupos criminosos lavem dinheiro e controlem territórios ao desmatar florestas para criar grandes fazendas de gado.

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Consequências e Medidas de Combate

Radachowsky destacou que a entrada de gado e seus traficantes nas florestas da América Central trouxe sérias consequências, como a redução da cobertura arbórea, aumento da violência e disseminação de novas doenças. “Cada vaca transportada ilegalmente pode ser portadora de berne e outras doenças”, alertou.

Além disso, há preocupações sobre a transmissão de gripe aviária e tuberculose pelo gado.

O USDA e o Ministério da Agricultura do México anunciaram novas iniciativas para criar e liberar moscas esterilizadas, visando dificultar a propagação da mosca-da-berne. O último surto da mosca no Texas, na década de 1970, resultou em perdas de centenas de milhões de dólares na indústria pecuária.

Radachowsky enfatiza que, para resolver o problema, é essencial que os governos dos Estados Unidos, México e países da América Central colaborem para combater essa atividade ilícita.

Críticas e Desafios na Resposta ao Surto

O Comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller, criticou a resposta dos EUA à mosca-da-berne, pedindo ao USDA que utilize o Sistema de Supressão de Adultos da Mosca-da-Breve (SWASS), um pesticida e isca, além da liberação de moscas estéreis. Miller afirmou que já havia pressionado o USDA para reintroduzir essa técnica, que considera eficaz.

O USDA, por sua vez, contestou as alegações de Miller, afirmando que o método SWASS é problemático para o meio ambiente e poderia afetar as moscas estéreis que estão sendo liberadas. A subsecretária do USDA, Scott Hutchins, declarou que a técnica não é mais viável.

Enquanto isso, Rollins criticou o governo mexicano por não conter o tráfico de gado, permitindo que a praga se espalhasse rapidamente.

Impactos no México e na Indústria Pecuária

Após a detecção dos primeiros casos de mosca-da-berne nos EUA, o México fechou sua fronteira para o gado americano. O governo mexicano, a pedido dos pecuaristas, realizou operações para conter o fluxo de gado ilegal. No entanto, a mosca-da-berne continuou a se espalhar.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reconheceu que controlar a passagem de gado da América Central é um desafio.

Os agricultores mexicanos também enfrentam dificuldades com a mosca-da-berne. Um agricultor em Chiapas relatou que perdeu uma vaca devido à praga, resultando em um prejuízo significativo. A mosca-varejeira, conhecida por causar danos a rebanhos, já foi uma preocupação para fazendeiros em diversas regiões dos Estados Unidos.

Histórico e Preocupações Futuras

A mosca-varejeira, cujo nome científico é Cochliomyia hominivorax, foi identificada pela primeira vez por Charles Coquerel, um cirurgião naval francês. A espécie foi erradicada nos EUA em 1966, mas começou a reaparecer em 2023, possivelmente devido a migrações de animais.

Radachowsky observou que a mosca se espalhou rapidamente pela América Central, coincidindo com rotas de tráfico conhecidas.

Além do gado, cães também estão se tornando vetores da mosca-da-berne. Andrés Lira, um ecologista mexicano, destacou que a presença da mosca em cães é exacerbada pela falta de serviços de controle animal. Lira expressou ceticismo quanto à possibilidade de erradicar completamente a mosca-da-berne na América do Sul, sugerindo que os agricultores terão que aprender a conviver com a praga.

Com a crescente preocupação sobre a disseminação da mosca-da-berne, Lira recebeu consultas de órgãos reguladores europeus sobre planos de ação caso a praga chegue ao continente. “Eles estão realmente preocupados com o que está acontecendo nas Américas”, concluiu.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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