Belo Monte: 25 Anos de Luta e Resistência em Assentamento RS

Celebração dos 25 Anos do Assentamento Belo Monte
No último sábado (23), sob um céu carregado de chuva que chegou no meio das comemorações, o Assentamento Belo Monte, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MTD), em Eldorado do Sul (RS), celebrou 25 anos de existência. A data representava um marco significativo para a comunidade, consolidando uma experiência duradoura de assentamento rururbano no Rio Grande do Sul.
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A celebração reuniu lideranças, moradores, jovens e parceiros históricos, testemunhando o legado de luta e resistência que moldou o assentamento ao longo de duas décadas e meio.
A História do Belo Monte
A história do Belo Monte começou em 2000, um ano anterior à ocupação definitiva da terra. Nesse período, com o Brasil enfrentando uma crise de desemprego estrutural, o sindicalista Milton Viário, então presidente da Federação dos Metalúrgicos, liderou a mobilização, impulsionada pelos alarmantes números que denunciavam a situação: 25% da população economicamente ativa no Nordeste e taxas entre 12% e 15% no Rio Grande do Sul e em âmbito nacional.
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A ideia central era a de um acampamento de desempregados, um espaço de denúncia e luta contra o desemprego.
A Marcha e a Ocupação
A marcha que partiu de baixo do viaduto da Freeway, na RS-118, às 4 horas da manhã, com um caminhão de som na frente, tinha como destino uma área que o grupo acreditava ser remanescente da General Motors em Gravataí. No entanto, o alvo estava equivocado: a terra pertencia à prefeitura.
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O prefeito local reagiu com raiva, e o batalhão cercou a área por ordem dele, resultando em uma situação tensa que exigiu negociações de 24 horas para a saída das famílias. Apesar do revés, as famílias fizeram uma caminhada pela vila, encontrando um novo terreno onde estabeleceram sua permanência.
O Legado e a Organização
O ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, presente na celebração, destacou a importância do Belo Monte como um exemplo de sucesso, mencionando que a comunidade, agora com muitas crianças e jovens, está em constante desenvolvimento. A diferença entre os números – 25 anos do assentamento e 26 do início do movimento – reflete a distinção entre a primeira ocupação em Gravataí (RS) em 2000 e a chegada efetiva ao Belo Monte no ano seguinte.
A estrutura organizativa do assentamento combina associação formalmente registrada, coordenações internas e núcleos de base, garantindo a participação e o debate em todas as decisões.
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Conclusão
A celebração dos 25 anos do Assentamento Belo Monte representou um momento de reflexão e orgulho para a comunidade, consolidando um legado de luta, resistência e construção de um futuro mais justo e igualitário. O assentamento, que nasceu da necessidade de oferecer alternativas para trabalhadores desempregados, tornou-se um exemplo de agroecologia, organização social e transformação do território, inspirando outras comunidades e movimentos sociais em todo o país.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



