Manifestantes invadem Avenida Paulista em defesa do direito ao aborto legal

Manifestantes Protestam Contra Suspensão de Resolução Conanda na Avenida Paulista
Um grupo de manifestantes realizou uma ação na noite de terça-feira (9) na Avenida Paulista, em São Paulo, demonstrando sua oposição à recente decisão do Senado Federal. A ação, que teve início por volta das 18h, começou em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP) e seguiu em caminhada até a Praça do Ciclista, mobilizando a atenção para um tema crucial no debate sobre direitos humanos e saúde sexual.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O protesto visava a resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que foi suspensa pela aprovação do plenário do Senado.
Resolução Conanda e o Atendimento Humanizado
A Resolução 258/2024 do Conanda estabelecia diretrizes para o atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, garantindo o acesso a serviços de saúde e a proteção de seus direitos, incluindo a possibilidade de aborto legal em casos de gravidez resultante de estupro.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Segundo a Frente Estadual pela Legalização do Aborto, a medida não criava novos direitos, mas sim organizava o fluxo de acesso a esse procedimento essencial para vítimas vulneráveis. A integrante da frente, Dafne Sena, explicou que a resolução buscava evitar a revitimização das jovens, que muitas vezes enfrentam dificuldades e violência adicional ao tentar acessar o aborto legal.
Direito Garantido e Mobilização Nacional
O ato na Avenida Paulista foi organizado pela Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, refletindo uma mobilização nacional em defesa do direito ao aborto legal. Os manifestantes ressaltaram que o direito ao aborto em casos de estupro já está garantido por lei, especialmente para vítimas menores de 14 anos, além de situações de gravidez de risco e anencefalia fetal.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Tamires de Sousa Arantes, militante do Coletivo Juntas, enfatizou que o objetivo da manifestação era garantir o direito dessas crianças e defender a infância, reafirmando que esse direito já está consolidado há mais de 40 anos e não precisa ser “conquistado”.
Dados Alarmantes sobre Violência de Gênero
A manifestação foi impulsionada por dados alarmantes sobre a violência de gênero no Brasil. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, 64 meninas são vítimas de violência sexual a cada dia no país. Entre 2011 e 2024, 308.077 meninas até os 17 anos sofreram esse tipo de violência.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 também revelou um aumento significativo nos casos de estupro e estupro de vulnerável, com 87.545 ocorrências em 2024, sendo que mais da metade (76,8%) envolviam vítimas de menor idade. Esses números evidenciam a urgência de garantir o acesso ao aborto legal como uma medida de proteção e saúde para mulheres e meninas em situação de risco.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



