Choque de fertilizantes e previsão de El Niño em 2026 ameaçam oferta global de alimentos

A combinação da escassez de fertilizantes e a previsão de um intenso El Niño em 2026 pode agravar a crise alimentar global, afetando a produção agrícola.

18/08/2026 10:20

4 min

Crise dos fertilizantes no mundo e El Niño ameaçam segurança alimentar
Crise dos fertilizantes no mundo e El Niño ameaçam segurança ali...

A agricultura mundial enfrenta uma grave ameaça em 2026, provocada pela escassez de fertilizantes e a previsão de um intenso fenômeno climático El Niño. O alerta foi reforçado recentemente pelo Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, que elevou para mais de 90% a probabilidade de um episódio forte de El Niño durante o outono e inverno do Hemisfério Norte.

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Além disso, há 69% de chance de que esse evento alcance intensidade histórica entre outubro e dezembro, superando os registros desde 1950.

O impacto do El Niño pode ser devastador, elevando as temperaturas globais e alterando padrões de chuva. Isso resultará em secas em regiões produtivas essenciais enquanto outras áreas enfrentarão chuvas excessivas. A combinação desses fatores gera preocupações crescentes entre analistas financeiros, como o JP.

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Morgan, que alertam para a possibilidade de amplificação dos riscos econômicos e geopolíticos no setor agrícola.

Desafios da produção agrícola

A atual crise climática se agrava em um momento em que a agricultura já lida com o aumento dos custos e a interrupção da oferta de fertilizantes devido à guerra no Oriente Médio. Com cada um desses problemas sendo capaz de causar estragos por si só, sua junção pode resultar em consequências ainda mais sérias para a produção agrícola global.

A utilização de fertilizantes é crucial para maximizar o potencial produtivo das lavouras. Quando os preços da ureia sobem e os agricultores são forçados a diminuir a adubação, isso pode levar a uma redução significativa na produtividade. Se, além disso, as condições climáticas forem adversas — como seca ou chuvas fora do período esperado — o resultado pode ser desastroso.

Embora boas condições climáticas possam atenuar alguns impactos negativos da diminuição dos insumos, a incerteza sobre o efeito final na produção global permanece alta. Portanto, as previsões precisam considerar tanto o clima quanto a disponibilidade de fertilizantes.

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Impacto do El Niño na agricultura global

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico equatorial, altera significativamente as condições climáticas ao redor do mundo. Historicamente, ele tende a causar temperaturas elevadas e secas em certas regiões, enquanto provoca chuvas intensas em outras.

No Brasil, por exemplo, o Sul pode receber mais precipitações, favorecendo algumas colheitas mas aumentando os riscos de enchentes e doenças nas plantas.

Já no Norte e Oeste do Brasil há risco elevado de secas severas que podem comprometer tanto as lavouras quanto a logística fluvial necessária para o escoamento da produção agrícola. O JP. Morgan aponta que essa redistribuição geográfica da produção pode afetar diretamente grandes mercados consumidores.

Culturas mais vulneráveis ao fenômeno

Dentre as culturas agrícolas afetadas pelo El Niño, as chamadas “soft commodities”, como café, cacau e açúcar estão entre as mais sensíveis às mudanças climáticas. Históricos anteriores mostram que essas commodities frequentemente enfrentam altas nos preços durante episódios fortes do fenômeno.

No caso do cacau, por exemplo, todos os eventos fortes registrados nos últimos 55 anos resultaram em quedas na produção mundial. A África Ocidental — responsável por cerca de metade da produção global — já começou 2023 com chuvas acima da média que favorecem doenças fúngicas nas plantações.

Em contrapartida, temperaturas extremas esperadas para 2024 podem debilitar ainda mais as plantas antes da colheita.

Para o café robusta, os maiores riscos estão concentrados no Vietnã e na Indonésia; países que juntos respondem por metade da produção mundial dessa variedade. Durante o El Niño, esses locais costumam sofrer com calor intenso e escassez hídrica exatamente quando as plantas estão se desenvolvendo — podendo impactar negativamente as colheitas subsequentes.

Efeitos nos preços dos alimentos

A combinação dos efeitos do El Niño com a escassez de fertilizantes está prevista para influenciar não apenas a quantidade produzida mas também os preços globais dos alimentos básicos nos próximos meses. A FAO já identificou uma queda significativa na disponibilidade mensal desse insumo importante devido à situação geopolítica no Oriente Médio.

Os efeitos dessa escassez podem começar a ser sentidos em até nove meses nas principais culturas alimentares como trigo e arroz. Essa defasagem temporal entre a interrupção do fornecimento e os dados sobre produtividade poderá coincidir com uma nova onda inflacionária nos preços dos alimentos.

A experiência passada mostra que crises semelhantes já ocorreram anteriormente; no entanto, nem todos os produtos conseguiram evitar perdas significativas nas exportações durante períodos críticos como esse. O Banco Mundial destaca essa conexão entre clima adverso e escolhas comerciais que afetam diretamente a segurança alimentar global.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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