Banco do Brasil mira 95% de adimplência no agro até 2026 com novas estratégias financeiras

Banco do Brasil busca 95% de adimplência no agro até 2026
Com o objetivo de alcançar 95% de adimplência no setor agro até o final de 2026, o Banco do Brasil planeja utilizar garantias como a alienação fiduciária para minimizar os riscos de endividamento. Essa estratégia se complementa com outras ações, como a melhoria na análise de financiamento e na capacidade de custeio dos produtores, conforme destacou Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócio e Agricultura Familiar do Banco do Brasil.
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A alienação fiduciária é um mecanismo de garantia que permite que o bem financiado — como máquinas agrícolas, imóveis ou veículos — permaneça em nome do credor até que a dívida seja quitada, embora o tomador do crédito continue a utilizá-lo.
Essa abordagem reduz significativamente o risco da operação, pois o banco pode retomar o ativo de maneira mais rápida e com custos jurídicos menores.
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Bittencourt mencionou que a Agrishow já serviu como um ambiente “piloto” para desenvolver essa estratégia, onde o banco alcançou resultados significativos. Se confirmadas, as inadimplências representarão menos de 1% do total da carteira agro da instituição, que está estimada em R$ 406 bilhões para este ano, valor que se mantém o mesmo de 2025, podendo variar 2% para mais ou para menos.
Desafios e expectativas para a carteira de crédito
Esse montante é dividido entre operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização. “Há um desafio considerável para que as operações que estão vencendo sejam repostas, a fim de manter a carteira nesse patamar, que é bastante significativo para o financiamento do agro brasileiro”, afirmou Bittencourt.
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O Banco do Brasil registrou um aumento na inadimplência em 2025 e espera trabalhar no primeiro semestre com níveis um pouco mais elevados, mas com a expectativa de melhora nos meses seguintes. O banco está implementando diversas medidas para aprimorar a adimplência, especialmente em um cenário de juros altos e maior cautela no crédito.
Linhas de crédito verdes e sustentabilidade
O Banco do Brasil tem intensificado sua atuação em linhas de crédito voltadas para a sustentabilidade dentro de sua carteira total. Atualmente, cerca de R$ 400 bilhões, abrangendo operações no meio rural e urbano, já são classificados como financiamento sustentável, com uma participação significativa do agronegócio, segundo Bittencourt.
A estratégia da instituição é expandir essa fatia, especialmente em práticas que estejam alinhadas à agenda ESG no campo, como o plantio direto e a recuperação de áreas degradadas. Parte desse avanço está relacionada a programas governamentais que direcionam recursos para modelos produtivos mais sustentáveis.
Além disso, o banco tem reforçado o financiamento de projetos ligados à irrigação e ao aumento de produtividade, através de linhas de crédito “verde”. Linhas voltadas à inovação também estão ganhando espaço, refletindo-se em eventos como a Agrishow 2026, onde novas tecnologias são apresentadas aos produtores.
Bittencourt acredita que esse conjunto de iniciativas contribuirá para melhorar a qualidade da carteira, estimulando ganhos de eficiência e, consequentemente, a adimplência dos produtores até 2026.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



