Juros altos e inadimplência devem pesar nos balanços do 3º trimestre no Brasil

Bancos, varejistas que oferecem crédito e construtoras estão entre os setores pressionados, enquanto commodities e energia podem compensar parte das perdas.

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Investidor olhando para telas com gráficos.
Investidor olhando para telas com gráficos.

Analistas ouvidos pelo CNN Money esperam resultados majoritariamente negativos para as companhias domésticas no terceiro trimestre, em meio à desaceleração econômica, aos juros elevados e aos recordes de inadimplência das famílias brasileiras.

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A XP prevê um “leve viés de baixa” na comparação com o mesmo período de 2025 e considera possíveis “algumas surpresas negativas”. Já nos Estados Unidos, a expectativa é de crescimento de aproximadamente 10% nas receitas e de 25% a 30% nos lucros das empresas do SP 500.

Entre juros altos e inadimplência, balanços no Brasil devem ser fracos

Juros e inadimplência pressionam empresas brasileiras

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Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, afirma que a perda de ritmo da economia deve aparecer nos balanços. Ele cita dados de vendas no varejo e da indústria que ficaram consideravelmente abaixo do esperado, além do IBC-Br.

O custo da dívida também pesa, sobretudo para as empresas mais endividadas. Figueredo avalia que os efeitos de um ciclo de corte de juros demoram a chegar às contas das companhias e, por isso, não espera uma temporada forte.

Gustavo Cruz, CIO da Sincra, aponta que a piora da inadimplência deve aparecer também nos balanços dos bancos, tanto no crédito para pessoas físicas quanto para empresas. Os dados do Banco Central vêm renovando recordes nos últimos meses.

As prévias das construtoras já foram negativas, com aumento de distratos. Cruz também vê risco de alta da inadimplência no setor financeiro e em varejistas que oferecem crédito. Para ele, a combinação de resultado operacional mais fraco e despesas financeiras elevadas pode reduzir os lucros.

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João Daronco, analista da Suno Research, diz que os bancos devem concentrar atenções, em continuidade à alta da inadimplência vista no segundo trimestre. Pesquisa do BC publicada em agosto mostrou que as próprias instituições esperavam piora do indicador no período atual.

Commodities e energia podem compensar parte das perdas

Empresas de commodities e energia podem servir de contrapeso aos resultados mais fracos. Figueredo, da XP, relaciona o desempenho ao conflito geopolítico, ao petróleo elevado no mercado internacional e aos ganhos operacionais de produtoras e distribuidoras de combustíveis, como Vibra e Ultrapar.

Com o petróleo tipo Brent acima de US$ 100, petroleiras e empresas de gás natural podem ser favorecidas. Caio Borges, analista da Eleven Financial, destaca o patamar da commodity, enquanto Daronco afirma que a matéria-prima mais cara tende a garantir forte geração de caixa para essas empresas.

Há, porém, riscos para outros segmentos. Borges diz que a alta mais acentuada do diesel, associada aos ataques ucranianos a refinarias russas, pode pressionar as margens de exportadoras de outros setores. Daronco também chama atenção para a depreciação do dólar, que pode reduzir o caixa de empresas que vendem ao exterior.

IA sustenta expectativa positiva para empresas dos EUA

Nos Estados Unidos, analistas veem um cenário mais favorável, impulsionado por empresas ligadas à inteligência artificial e pelo setor financeiro. Gustavo Cruz menciona recordes de emissões de dívida e o volume de IPO pelo mundo como sinais de atividade para os bancos estrangeiros.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, espera que tecnologia e serviços de comunicação liderem o crescimento dos lucros do SP 500. O grupo inclui empresas ligadas ao setor tecnológico, como Nvidia e Meta, e deve dividir o protagonismo com energia.

Para acompanhar o setor de inteligência artificial, Castro Alves aponta o retorno dos investimentos, a preservação das margens de lucro e as perspectivas de crescimento para os próximos trimestres. Em 2027, diz ele, será importante observar se as empresas mantêm ou reduzem os aportes e como os investimentos em infraestrutura, capacidade de processamento e computação em nuvem se convertem em receitas e retornos financeiros.

Eleição e juros entram no radar para os próximos trimestres

As projeções para o quarto trimestre divergem. Gustavo Cruz avalia que o período deve ser praticamente uma repetição do terceiro. Já Daronco vê potencial de melhora no varejo, especialmente no setor alimentício, com o fim das bets no Brasil. Ele cita Assaí e Grupo Mateus entre as empresas que podem se beneficiar de mais dinheiro disponível para consumo.

Cruz afirma que a evolução das incertezas no Oriente Médio deve influenciar a normalização ou não dos preços do petróleo. No Brasil, o resultado das eleições neste domingo (25) pode direcionar o comportamento da curva de juros futuros.

Raphael Figueredo, da XP, diz que o processo eleitoral terá impacto nas expectativas do mercado para 2027. Primeiro, o efeito aparece na curva de juros; depois, na percepção sobre os preços e nos fundamentos das empresas.

A melhora das condições financeiras, porém, também depende de inflação controlada, previsibilidade e atividade econômica estável, além do compromisso fiscal do eventual presidente eleito. Para as empresas de inteligência artificial, Castro Alves aponta como principal questão a continuidade dos investimentos e se o otimismo com o setor se mantém no quarto trimestre ou dá sinais de desaceleração.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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