Bahia registra 6.578 mortes violentas intencionais em 2023 e apenas 14% são esclarecidas

A alarmante taxa de homicídios na Bahia revela desafios profundos para a segurança pública e a eficácia das investigações criminais no estado.

08/07/2026 07:22

3 min

Polícia Civil da Bahia
Polícia Civil da Bahia

A Bahia se destaca como o estado brasileiro com o maior número de mortes violentas intencionais, ao mesmo tempo em que apresenta uma das menores taxas de esclarecimento desses casos. Os dados são do estudo “Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil”, elaborado pelo Instituto Sou da Paz.

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Em 2023, o estado contabilizou 6.578 vítimas de mortes violentas intencionais (MVI), alcançando a alarmante taxa de 46,5 homicídios por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Amapá (69,9) nesse índice.

Entre 2020 e 2023, apenas 14% dos homicídios na Bahia resultaram em denúncias apresentadas pelo Ministério Público. Esse percentual é ligeiramente superior ao do Rio Grande do Norte, que ficou em 9%, conforme revela a pesquisa.

Fatores que dificultam as investigações

O estudo aponta que a Bahia enfrenta vários fatores que contribuem para suas baixas taxas de esclarecimento. Um deles é a alta proporção de homicídios cometidos com armas de fogo, além da intensa atuação de organizações criminosas e da elevada letalidade policial.

De acordo com os dados, 83% dos homicídios na Bahia envolvem armas de fogo, um dos maiores índices do país.

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No ano passado, as intervenções policiais resultaram em 25,8% das mortes violentas intencionais no estado, um número mais que dobrado em relação à média nacional de 13,8%. Os pesquisadores notam que estados onde há uma alta taxa de mortes por intervenção policial tendem também a ter baixos índices de esclarecimento nos homicídios.

Essa correlação sugere que abordagens policiais mais confrontativas podem prejudicar a capacidade investigativa.

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Desafios na investigação e possíveis soluções

Conforme o levantamento, os homicídios cometidos com armas de fogo geralmente ocorrem em espaços públicos e estão frequentemente ligados a disputas entre organizações criminosas. Esses fatores tornam mais difíceis as investigações devido à escassez de evidências materiais e testemunhas.

Além disso, mesmo quando esses crimes são elucidados, eles exigem mais tempo e recursos do que aqueles perpetrados por outros meios.

Carolina Ricardo, diretora – executiva do Instituto Sou da Paz, destaca que “homicídios praticados com armas de fogo geralmente ocorrem em espaços públicos, são executados rapidamente e produzem menor quantidade de evidências e testemunhas”. Isso aumenta significativamente a complexidade da investigação.

Apesar desse cenário desafiador, o estudo ressalta que bons resultados nas investigações não são impossíveis. Estados como Rondônia conseguiram aumentar suas taxas de esclarecimento ao implementar medidas como continuidade investigativa, fortalecimento da perícia e preservação do local do crime.

Para os pesquisadores, experiências bem – sucedidas demonstram que a redução da impunidade depende não apenas das condições de violência mas também da organização e priorização das investigações.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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