Bahia registra 6.578 mortes violentas intencionais em 2023, com taxa de esclarecimento de apenas 14%

A Bahia enfrenta um grave desafio com 6.578 mortes violentas em 2023, refletindo a necessidade urgente de melhorias nas investigações e segurança pública.

08/07/2026 07:29

3 min

Polícia Civil da Bahia
Polícia Civil da Bahia

A Bahia ocupa o primeiro lugar no Brasil em mortes violentas intencionais, enquanto apresenta uma das menores taxas de esclarecimento desses homicídios. Os dados são do estudo Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, realizado pelo Instituto Sou da Paz.

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Em 2023, o estado contabilizou 6.578 vítimas de mortes violentas intencionais (MVI), o maior número absoluto do país, e uma taxa de 46,5 mortes por 100 mil habitantes, apenas abaixo do Amapá, que tem 69,9.

Entre 2020 e 2023, apenas 14% dos homicídios registrados na Bahia resultaram em denúncias apresentadas pelo Ministério Público. Esse percentual é superior apenas ao do Rio Grande do Norte, que teve 9%, conforme aponta o levantamento.

Fatores que dificultam a investigação

O estudo revela que a Bahia possui características que contribuem para as baixas taxas de esclarecimento. O estado enfrenta uma elevada proporção de homicídios cometidos com armas de fogo e uma intensa atuação de organizações criminosas. Além disso, a letalidade policial também é alta.

De acordo com os dados, 83% dos homicídios na Bahia são realizados com armas de fogo, um dos maiores índices do Brasil.

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No ano passado, as intervenções policiais foram responsáveis por 25,8% das mortes violentas intencionais registradas no estado. Esse índice é mais que o dobro da média nacional, que é de 13,8%. Pesquisadores observaram que estados com altas taxas de mortes decorrentes de intervenções policiais frequentemente apresentam os menores índices de esclarecimento de homicídios.

Isso sugere uma ligação entre modelos policiais voltados para o confronto e a baixa capacidade investigativa.

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Desafios nas investigações

Os homicídios cometidos com armas de fogo em espaços públicos e frequentemente relacionados a conflitos entre organizações criminosas costumam deixar menos evidências materiais e testemunhas disponíveis. Essa situação torna as investigações mais desafiadoras.

Quando esses crimes são elucidados, eles geralmente demandam mais tempo e recursos do que os homicídios realizados por outros meios.

“Homicídios praticados com armas de fogo geralmente ocorrem em espaços públicos, são executados rapidamente e geram menos evidências e testemunhas, aumentando significativamente a complexidade da investigação”, explica Carolina Ricardo, diretora – executiva do Instituto Sou da Paz.

Soluções para aumentar o esclarecimento

Apesar desse cenário complicado, o estudo ressalta que isso não impede resultados positivos nas investigações. Estados como Rondônia conseguiram aumentar significativamente suas taxas de elucidação ao investir em medidas como continuidade investigativa e fortalecimento da perícia criminal.

Além disso, a preservação do local do crime e uma gestão baseada em indicadores têm se mostrado eficazes.

Para os pesquisadores envolvidos no estudo, essas experiências demonstram que a redução da impunidade não depende apenas do contexto violento em si, mas também da organização e priorização das investigações realizadas pelas autoridades competentes.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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