B3 tenta reter pequenas mineradoras que hoje captam recursos em bolsas estrangeiras

Flávia Mouta anunciou a aproximação durante encontro do setor em São Paulo; mais de 100 empresas minerais brasileiras estão listadas no exterior.

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Mineração IA CNN

A B3 quer se aproximar de pequenas mineradoras e empresas com projetos minerais em estágio inicial para tentar atrair companhias que hoje buscam financiamento em bolsas estrangeiras. A diretora de Listagem e Relacionamento da B3, Flávia Mouta, anunciou a iniciativa durante encontro de executivos do setor mineral promovido pela ADIMB (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro), em São Paulo, na segunda-feira (19).

A bolsa reconhece que precisa ampliar o contato com empresas que ainda não começaram a produção comercial. Mais de 100 companhias com operações no setor mineral brasileiro estão listadas em bolsas estrangeiras, principalmente no Canadá e na Austrália, segundo levantamento apresentado pelo setor à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em junho.

Bolsas do Canadá e da Austrália financiam projetos em fase inicial

O interesse por alternativas de financiamento cresce com os investimentos em minerais críticos no Brasil, especialmente terras raras, lítio e cobre. Muitos projetos são desenvolvidos por junior mining companies, empresas especializadas em pesquisa e desenvolvimento de depósitos minerais que, em geral, ainda não têm minas em operação nem receitas com a venda de minérios.

Para pagar perfurações, estudos geológicos e testes de processamento, essas companhias dependem de captações sucessivas. No Canadá, a Toronto Stock Exchange (TSX) e a TSX Venture Exchange (TSXV), voltada a empresas menores, têm regras para companhias de exploração mineral e permitem que negócios sem produção comercial busquem investidores.

O país também oferece incentivos tributários à pesquisa mineral. Pelo mecanismo chamado flow-through shares, empresas podem transferir determinadas deduções fiscais a investidores. Na Austrália, a Australian Securities Exchange (ASX), sediada em Sydney, reúne investidores especializados e permite captações antes da construção das minas.

Até junho de 2025, a Austrália contou com o Junior Minerals Exploration Incentive, programa que permitia a pequenas exploradoras transferir benefícios tributários a investidores para financiar pesquisas realizadas no país. O setor defende a retomada do mecanismo.

Também existem deduções fiscais para certas despesas de exploração e créditos tributários para pesquisa e desenvolvimento.

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Empresas captam recursos conforme avançam nos projetos

O modelo permite que as companhias levantem recursos gradualmente, à medida que demonstram o potencial econômico de seus projetos. A australiana Viridis Mining and Minerals desenvolve o projeto de terras raras Colossus, em Minas Gerais, enquanto a St George Mining trabalha em um depósito de terras raras e nióbio em Araxá (MG).

As duas têm ações negociadas na bolsa australiana.

No Canadá, a Lithium Ionic, listada na TSXV, desenvolve o projeto de lítio Bandeira, também em Minas Gerais. Flávia Mouta afirmou que a B3 conversa com bolsas internacionais especializadas em mineração para conhecer seus modelos e avaliar alternativas para o mercado brasileiro.

A diretora disse que o financiamento pode ocorrer por outros meios além da emissão de ações. A B3 tem infraestrutura para operações de dívida e permite a negociação de certificados de ações de empresas listadas no exterior, conhecidos como BDRs.

Ela não anunciou instrumentos específicos para o setor mineral nem informou um cronograma de implementação.

Projeto prevê benefício tributário para pesquisa mineral

O Congresso discute uma proposta de incentivo inspirada em mecanismos adotados no Canadá. Apresentado em 2023 pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), o Projeto de Lei 4.975 prevê uma classe específica de ações para financiar a pesquisa mineral, com benefícios tributários a investidores que aplicarem recursos em empresas ainda em fase de desenvolvimento.

De acordo com a proposta, mineradoras com autorização de pesquisa da Agência Nacional de Mineração poderiam emitir ações chamadas APEM, destinadas exclusivamente à exploração mineral. Pessoas físicas e jurídicas que comprassem esses papéis poderiam deduzir os valores investidos da base de cálculo do Imposto de Renda, mediante comprovação dos gastos.

O projeto aguarda parecer do deputado Sidney Leite (PSD-AM) na Comissão de Minas e Energia da Câmara.

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