Aumento de Problemas de Pele em Jovens com Diabetes Tipo 1: Estudo Revela Dados Alarmantes

O uso de tecnologias no tratamento do diabetes tipo 1 em jovens está ligado a um aumento de problemas de pele. Descubra os detalhes dessa pesquisa impactante!

06/06/2026 13:16

4 min

Aumento de Problemas de Pele em Jovens com Diabetes Tipo 1: Estudo Revela Dados Alarmantes
(Imagem de reprodução da internet).

Problemas de Pele em Jovens com Diabetes Tipo 1

O uso contínuo de tecnologias como sensores de glicose e bombas de insulina tem gerado um aumento nos problemas de pele em crianças e adolescentes com diabetes, especialmente aqueles com diabetes tipo 1. Essa informação é corroborada por uma pesquisa publicada na revista Hormone Research in Paediatrics, que analisou dados de 22 centros ao redor do mundo, incluindo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

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O estudo acompanhou 1.719 jovens durante quatro semanas e identificou problemas de pele em 52% dos usuários de bombas de insulina e em 30% dos que utilizam sensores de glicose.

A inflamação cutânea, conhecida como eczema, foi observada em 9% dos participantes, afetando tanto os locais de aplicação das bombas quanto dos sensores. Aproximadamente 95% dos avaliados apresentavam diabetes tipo 1, a forma mais comum da doença na infância e adolescência.

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Nesses casos, o corpo não produz insulina, hormônio essencial para o controle da glicose no sangue, o que exige monitoramento constante e tratamento contínuo com aplicações diárias de insulina.

Importância da Tecnologia no Controle do Diabetes

Embora os casos de diabetes tipo 2 estejam crescendo entre crianças devido à obesidade e ao sedentarismo, o tipo 1 continua a ser predominante nessa faixa etária. “Os dispositivos tecnológicos, como sensores de glicose e bombas de insulina, são recomendados principalmente para pacientes com diabetes tipo 1, pois permitem um controle glicêmico mais preciso, redução de hipoglicemias e melhora na qualidade de vida.

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Diretrizes internacionais já consideram essas tecnologias como padrão-ouro de cuidado”, explica a endocrinologista pediátrica Mariana Zorron, do Hospital de Clínicas da Unicamp e uma das autoras do estudo.

Ela ressalta que a indicação deve ser sempre individualizada, levando em conta a idade, o perfil clínico, o acesso à tecnologia e o suporte familiar. Esses métodos ajudam a alcançar uma hemoglobina glicada mais controlada, reduzindo o risco de complicações associadas à doença. “Eles melhoram significativamente a qualidade de vida dos pacientes, facilitam o controle da doença, evitam inúmeras picadas diárias e aumentam a adesão ao tratamento”, afirma a endocrinologista pediátrica Lindiane Gomes Crisostomo, do Einstein Hospital Israelita.

Desigualdade de Acesso e Complicações Dermatológicas

O estudo também destaca as desigualdades de acesso no Brasil, uma vez que essas tecnologias não são totalmente cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os sensores de glicose começaram a ser incorporados em alguns serviços públicos especializados, mas as bombas de insulina ainda dependem, na maioria dos casos, de judicialização ou programas específicos.

Apesar de a tecnologia auxiliar no controle da doença, o surgimento de lesões na pele é uma realidade.

No estudo, os pacientes que utilizam bombas de insulina apresentaram mais cicatrizes e lipodistrofias, que são alterações no tecido adiposo sob a pele. Além disso, crianças com xerose cutânea (pele excessivamente seca) e queratose pilar (condição que causa ressecamento da pele) têm um risco de duas a cinco vezes maior de desenvolver complicações dermatológicas. “É importante lembrar que a insulina é um medicamento injetado em locais com pH diferente da pele, o que pode causar inflamação.

A pele mais seca, com queratose pilar, já é mais suscetível a lesões”, observa Crisostomo.

Cuidados e Recomendações

Embora a maioria das lesões seja reversível e não resulte em complicações mais graves, o problema não deve ser subestimado, pois pode comprometer o tratamento. “As lesões de pele podem afetar a aderência do dispositivo e prejudicar tanto a administração de insulina quanto a leitura da glicose, que pode não ser precisa”, explica Zorron.

As infecções são raras, mas podem ocorrer. Geralmente, as lesões não levam à interrupção do uso dos dispositivos, mas alguns pacientes podem precisar trocar temporariamente o local de aplicação até que a pele se recupere.

“Normalmente, utilizamos estratégias como hidratação intensa, rodízio dos locais e barreiras protetoras”, relata a médica do Einstein. Os sinais de alerta incluem vermelhidão persistente, coceira intensa, feridas, secreção e endurecimento da pele.

A recomendação é manter a área sempre limpa e bem hidratada antes da aplicação dos dispositivos e buscar assistência médica em caso de lesões.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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