Atualização da NR-1: Empresas terão que gerenciar riscos psicossociais a partir de maio de 2026!

Atualização da NR-1 e a Gestão de Riscos Psicossociais
A atualização da NR-1, que passa a exigir o gerenciamento de riscos psicossociais nas empresas a partir de 26 de maio de 2026, representa uma mudança significativa na relação entre trabalho e saúde mental no Brasil. A norma coloca questões como assédio moral, metas abusivas, jornadas excessivas e pressão constante como obrigações das corporações, ao lado de riscos físicos, químicos e ergonômicos.
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Especialistas afirmam que a saúde mental deixa de ser um mero “benefício” e se torna uma responsabilidade legal das empresas.
A NR-1 é uma norma geral de segurança e saúde no trabalho no Brasil, que estabelece diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Recentemente, a norma passou a incluir a gestão dos riscos psicossociais, exigindo que as organizações garantam condições seguras, tanto físicas quanto emocionais, para todos os colaboradores, independentemente do vínculo contratual.
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Segundo Adriano Lima, especialista em gestão de RH, a saúde mental, que sempre foi discutida, agora deve ser gerida de forma estruturada, com a obrigação de identificar, monitorar e agir sobre os riscos psicossociais.
Implicações Jurídicas e a Nova Realidade
A mudança na NR-1 também amplia o risco jurídico para empresas que ignoram ambientes tóxicos. Adriano destaca que a inclusão dos riscos psicossociais transforma o ambiente de trabalho em uma variável objetiva. Se houver evidências de sobrecarga crônica ou assédio sem ação da empresa, isso se torna um risco jurídico real.
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Ticiana Paiva, psicóloga, ressalta que assédio moral e metas abusivas estão diretamente relacionados à nova regulamentação, exemplificando fatores psicossociais que afetam o trabalho.
A discussão sobre saúde mental se torna ainda mais urgente diante do aumento de afastamentos relacionados a essa questão. Em 2025, o Brasil registrou cerca de 546 mil trabalhadores afastados por problemas de saúde mental, o maior número até então.
O psiquiatra Daniel Sócrates aponta que ansiedade, depressão e burnout são os principais diagnósticos, e muitos trabalhadores permanecem em exaustão por longos períodos antes de reconhecerem que estão adoecendo.
Prevenção e o Papel das Lideranças
A prevenção do adoecimento mental está diretamente ligada à forma como as lideranças conduzem suas equipes. Adriano Lima enfatiza que a saúde mental deve ser uma prioridade no ambiente de trabalho, e não um tema secundário. A maneira como os líderes organizam demandas, definem prioridades e lidam com prazos é crucial para evitar o burnout.
Ele também alerta que muitas lideranças ainda não estão preparadas para as novas exigências relacionadas à saúde mental, pois foram formadas em um modelo de trabalho que já não existe mais.
Comportamentos cotidianos, como cobranças constantes e mudanças frequentes de prioridade, podem gerar adoecimento nas equipes. Ticiana Paiva destaca que um ambiente saudável vai além de benefícios superficiais, devendo incluir segurança psicológica, metas realistas e liderança respeitosa.
A psicóloga critica iniciativas que não abordam as causas reais do adoecimento, como palestras superficiais ou aplicativos de meditação que não resolvem problemas estruturais.
Oportunidade de Antecipação de Problemas
A nova NR-1 oferece a oportunidade de antecipar problemas antes que se tornem graves. Daniel Sócrates explica que a norma muda a lógica regulatória, obrigando as empresas a focarem nos fatores que precedem o adoecimento, em vez de apenas tratar as consequências.
Para que a NR-1 seja eficaz na prevenção, as empresas precisam parar de tratar a saúde mental como um tema reativo e, sim, como uma prioridade proativa.
A identificação de riscos psicossociais requer acompanhamento contínuo e análise de dados internos. Adriano Lima afirma que os sinais de problemas já estão presentes nas organizações, mas muitas vezes não são percebidos adequadamente. Aumento de afastamentos, turnover elevado e queda de engajamento são alguns dos indicadores que precisam ser observados.
Ticiana Paiva defende que a gestão deve ser estruturada, utilizando diagnósticos baseados em questionários validados e escuta ativa das equipes para entender as reais condições de trabalho.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



