Ataques russos a Kiev e na Moldávia frustram nova tentativa de paz de Trump na Ucrânia

Ataques russos a Kiev e na Moldávia ocorrem após enviados de Trump apresentarem proposta de paz em Kiev.

Ataque russo provoca múltiplos incêndios em Kyiv e região nesta quarta-feira (5)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta – feira (9) que o presidente russo, Vladimir Putin, “quer fazer um acordo” para encerrar a guerra na Ucrânia. Em declaração a repórteres, Trump também disse que seria “muito bom” se o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também estivesse disposto a negociar.

No entanto, os acontecimentos no Leste Europeu sugerem um cenário bem menos otimista.

Na quarta – feira, um drone russo a jato violou o espaço aéreo da Moldávia e atrasou a decolagem de um avião que levaria Zelensky à Noruega. Já na terça – feira (8), após a visita dos enviados de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, a Kiev para discutir uma proposta de paz, mísseis e drones russos mataram cinco pessoas em uma nova ofensiva contra a capital ucraniana.

Incursão aérea e ataques a Kiev

O incidente na Moldávia não representou uma ameaça direta a Zelensky, segundo avaliações iniciais. Ainda assim, o embaixador da Moldávia nos EUA, Vladislav Kulminski, afirmou ao jornalista Jim Sciutto, da CNN, que a incursão de um drone de vigilância russo provavelmente “não foi um acidente”.

Os ataques a Kiev, por sua vez, são mais um capítulo do sofrimento imposto à população civil.

Esses episódios evidenciam a brutalidade de uma guerra que, de acordo com reportagem da CNN publicada na terça – feira, custa à Rússia cerca de 40 mil soldados por mês, com base em avaliações de agências de inteligência ocidentais. O conflito também demonstra uma tendência alarmante de se expandir para além das fronteiras da Ucrânia, em meio ao temor crescente de um confronto direto entre a OTAN e a Rússia na Europa.

Qualquer esforço sério do governo Trump para retomar a diplomacia seria bem – vindo, especialmente após a atenção da Casa Branca ter sido desviada pela guerra no Irã. Críticos do presidente costumam zombar de suas afirmações de que pode encerrar conflitos, mas uma paz justa na Ucrânia seria uma conquista histórica.

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No entanto, os sinais públicos das reuniões com Putin e Zelensky oferecem pouca esperança de que as causas profundas do conflito tenham diminuído.

Declarações desafinadas e dúvidas sobre a mediação

Uma sequência de declarações e gestos dos enviados americanos levanta dúvidas sobre a compreensão que têm da natureza da guerra e dos motivos da Rússia. Em Moscou, Witkoff fez comentários elogiosos a Putin, dizendo que os encontros seriam uma lembrança marcante para sua aposentadoria.

Já Kushner falou sobre a necessidade de encontrar uma situação de “ganha – ganha” para Putin e Zelensky.

Entregar uma “vitória” à Rússia, no entanto, validaria sua decisão de iniciar uma guerra ilegal e não provocada. Putin reafirmou que as “causas profundas” do conflito ainda precisam ser tratadas, uma forma que o Kremlin usa para defender o fim da soberania da Ucrânia e sua desmilitarização, condições impossíveis para Zelensky aceitar.

Trump, por sua vez, disse a repórteres na Base Aérea de Andrews que “o empecilho são duas pessoas que se odeiam”, em referência a Putin e Zelensky. A declaração ignora os complexos fatores históricos e políticos que levaram à guerra. “Eu entendo de negócios, e essas são duas pessoas cansadas de lutar.

Pode acontecer”, afirmou o presidente americano.

O custo da guerra e o futuro das negociações

A perspectiva de uma diplomacia americana eficaz parece tão ilusória quanto a promessa de Trump, feita no início do verão, de permitir que a Ucrânia produzisse interceptadores de mísseis Patriot sob licença. Também há dúvidas sobre as motivações dos EUA, em meio à falta de transparência sobre o que aconteceu nas reuniões com Putin, realizadas após uma visita à Rússia do diretor da CIA, John Ratcliffe.

Enquanto isso, a Rússia enviou sinais sobre futuras oportunidades econômicas entre os dois países, renovando temores na Europa de que Trump esteja mais interessado em acordos do que em uma paz justa. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou essa impressão ao atribuir parcialmente os altos preços do petróleo aos ataques da Ucrânia à infraestrutura russa, como se a autodefesa ucraniana fosse um incômodo.

O secretário de Estado Marco Rubio disse na quarta – feira que há uma chance, nas próximas semanas, de “talvez chegar a uma conclusão que seja aceitável para ambos os lados”, mas admitiu que ainda há muito trabalho pela frente. O terrível custo do conflito pode, em algum momento, pesar nas negociações.

A Ucrânia demonstra capacidade crescente de projetar força dentro da Rússia, mas Moscou também fez avanços recentes no campo de batalha. Enquanto o padrão de Trump de apresentar propostas que refletem os objetivos russos não mudar, as esperanças em uma nova iniciativa de paz devem permanecer contidas.