Ataques do Paquistão deixam ao menos três mortos no Afeganistão
Ataques aéreos vindos do Afeganistão matam três no Paquistão, elevando a tensão entre os dois países vizinhos.
Desde que os talibãs retomaram o controle do Afeganistão em agosto de 2021, a Força Aérea do país passou por uma transformação silenciosa, mas significativa. O que antes era uma frota dependente de aeronaves americanas, agora opera com um inventário próprio, adaptado às novas circunstâncias políticas e militares.
O governo afegão, que não é reconhecido internacionalmente, afirma que a reconstrução da aviação militar é prioridade. Ainda assim, os desafios logísticos e de manutenção são enormes, especialmente porque as aeronaves remanescentes dependem de peças e técnicos que, em sua maioria, deixaram o país.
Como a Força Aérea do Afeganistão se reestruturou após a queda de Cabul Frota atual e capacidade operacional limitada
O Afeganistão não possui caças de combate de alta performance, mas mantém uma frota modesta e funcional. De acordo com levantamentos recentes, o país conta com pelo menos seis aeronaves de asa fixa e 23 helicópteros em condições de voo. Esse número, embora pequeno, representa uma base para operações de transporte e reconhecimento.
Os helicópteros, em particular, são a espinha dorsal das operações aéreas locais. Eles são usados em missões de transporte de tropas, evacuação médica e apoio logístico em regiões de difícil acesso. A escassez de combustível e a falta de peças de reposição, no entanto, limitam a frequência dos voos.
Além das aeronaves convencionais, o país também possui uma frota de drones. Esses veículos aéreos não tripulados já foram utilizados em confrontos com o Paquistão, evidenciando uma capacidade de projeção de força que vai além das fronteiras.
A utilização desses equipamentos em operações transfronteiriças é um ponto de tensão recorrente na região.
Drones e o histórico de tensão com o Paquistão
Os drones afegãos não são meras ferramentas de vigilância. Em situações de conflito, eles já foram empregados em ataques contra alvos no Paquistão, o que demonstra uma estratégia de dissuasão assimétrica. Essa prática, no entanto, acende um alerta em Islamabad, que vê com preocupação a movimentação militar na fronteira.
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Especialistas apontam que, embora a capacidade aérea afegã seja limitada em números, o uso de drones representa uma mudança qualitativa no campo de batalha. Eles permitem que o país realize operações de precisão sem expor pilotos a riscos, algo que antes era impensável com a frota de asas fixas disponível.
O futuro da aviação militar afegã, contudo, permanece incerto. Sem acesso a programas de treinamento modernos e com sanções econômicas ainda em vigor, a sustentabilidade dessa frota é uma questão em aberto. A manutenção dos helicópteros, que são modelos de origem russa e americana, exige uma cadeia de suprimentos que o país ainda não conseguiu restabelecer plenamente.
Enquanto isso, o governo afegão segue investindo na formação de novos pilotos e técnicos, mesmo que em ritmo lento. A esperança é que, com o tempo, a Força Aérea consiga superar as limitações atuais e se tornar uma peça – chave na defesa do território nacional.