Após terremotos na Venezuela, operações de busca e resgate enfrentam desafios e frustração

A pressão aumenta sobre as equipes de resgate na Venezuela, com o tempo se esgotando para encontrar sobreviventes e famílias clamando por respostas.

Danos causados por terremotos na Venezuela

Pouco mais de uma semana após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela, a situação de emergência começa a evoluir. As operações de busca e resgate continuam em locais como La Guaira e Caracas, mas especialistas alertam que o tempo para encontrar sobreviventes está se esgotando.

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A frustração entre as famílias que aguardam notícias de seus entes queridos aumenta a cada dia. “A maioria dos resgates ocorre nos primeiros três dias. Há uma janela de oportunidade entre três e sete dias, mas as chances de sucesso diminuem bastante”, explicou Sebastián Mocarquer, chefe de buscas da ONU.

Mocarquer, que tem trabalhado nas áreas mais afetadas, também comentou que após sete dias é raro encontrar pessoas com vida nos escombros. Ele destacou que esses resgates são considerados milagrosos. No epicentro das operações, os socorristas chilenos se esforçam para salvar Hernán Gil, um homem preso sob os destroços de um edifício colapsado desde os tremores ocorridos em 24 de junho.

Até o momento, já se passaram mais de 57 horas desde que ele foi localizado, e a operação para alcançá – lo é complexa, conforme relatou Exequiel Gallardo, oficial do Grupo USAR do Corpo de Bombeiros do Chile.

Desafios nas Operações de Resgate

A equipe chilena conseguiu estabelecer contato com Gil e está fornecendo alimentos e água por meio de uma sonda. “Ele está estável e demonstra uma mistura de emoções; estamos esperançosos por um desfecho positivo nas próximas horas”, disse Gallardo.

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Entretanto, em várias outras áreas afetadas pela catástrofe, o foco dos esforços já se deslocou para a recuperação de corpos.

Em Catia La Mar, uma das localidades mais impactadas, famílias estão entre os escombros do edifício El Pelícano. O objetivo delas agora não é apenas encontrar sobreviventes, mas recuperar os restos mortais de seus entes queridos. Moradores criticam a lentidão da resposta governamental e afirmam que tiveram que assumir a responsabilidade pela remoção dos escombros. “A ajuda chegou tarde demais”, lamentou um local.

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Além disso, muitos habitantes perderam suas casas e permanecem em abrigos improvisados, dependendo de doações para sobreviver. “Foi horrível; preciso de uma cadeira de rodas”, desabafou Katius Ferreras, enquanto Germán Pérez relembrava o dia dos tremores como um pesadelo.

Ele aguarda uma solução para obter um abrigo seguro após ter machucado o ombro durante o desastre.

Solidariedade e Respostas Governamentais

Apesar das dificuldades enfrentadas pelas vítimas, há um fluxo contínuo de solidariedade na região. Organizações não governamentais, universidades e sindicatos têm se mobilizado para distribuir suprimentos básicos às pessoas afetadas. Artistas e moradores também têm levado entretenimento às crianças para amenizar o clima tenso.

A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na quarta – feira (1°) que a prioridade do governo é proteger os sobreviventes e apoiar as famílias em acampamentos temporários. Em meio à crise humanitária, quatro funcionários foram detidos após serem acusados ​​de roubo durante as operações de resgate em La Guaira.

O CICPC (Corpo de Investigação Científica, Criminal e Forense) assegurou que não tolerará condutas inadequadas durante este período delicado.

Transição para Recuperação

O Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA em Caracas, John Barrett, declarou que a resposta humanitária está mudando seu foco dos esforços imediatos de resgate para iniciativas voltadas à recuperação. “Ainda assim, nossa prioridade continua sendo salvar vidas”, enfatizou durante coletiva virtual.

Barrett mencionou que mais de 310 especialistas americanos em busca e resgate estão no país oferecendo suporte logístico militar e mais de US 300 milhões em ajuda humanitária já foram enviados.

Enquanto isso, brigadas médicas e organizações humanitárias estão chegando para ajudar na recuperação da população afetada. O chef espanhol José Andrés e sua organização World Central Kitchen intensificaram a distribuição de alimentos nas áreas devastadas.

Dúvidas sobre Números Oficiais

No entanto, dúvidas persistem sobre o real impacto do desastre. Dados divulgados pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela apontam 2.295 mortos até quarta – feira à tarde; contudo, esse número não inclui desaparecidos e gerou críticas por parte de organizações internacionais.

A ONG Provea pediu transparência total na divulgação das informações sobre as vítimas dessa tragédia nacional.