Antigos ministros de Bolsonaro desmentem alegações de caráter golpista em encontro ministerial

Adolfo Sachsida, Bruno Bianco e Wagner Rosário diminuem a importância das críticas do ex-presidente às urnas de votação em 2022.

3 min

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Em depoimento ao STF, ex-ministros de Jair Bolsonaro (PL) afirmaram que o ex-presidente não discutiu uma “ruptura democrática” em reunião ministerial de julho de 2022.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Adolfo Sachsida (ex-Ministras e Energia), Bruno Bianco (ex-advogado-geral da União) e Wagner Rosário (ex-ministro da Controladoria-Geral da União) prestaram depoimento como testemunhas do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres, réu na ação penal por tentativa de golpe de Estado. Os ex-ministros afirmaram que Bolsonaro abordou de forma genérica o tema das eleições.

As questões concernem a uma reunião de 5 de julho de 2022, cuja gravação subsidiou a operação da PF (Polícia Federal) Tempus Veritatis, que, por sua vez, deu origem à ação penal por tentativa de golpe.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A denúncia da PGR indica que Bolsonaro teria instruído seus ministros a repetirem a teoria de que o sistema eleitoral brasileiro é fraudulento. “A partir de agora, quero que todos os ministros falem o que eu vou falar aqui e vou mostrar. Se o ministro não quer falar, ele vai ter que falar para mim porque ele não quer”, declarou Bolsonaro.

O ex-presidente prosseguiu com a declaração, utilizando um tom de advertência sobre possível demissão: “Se não houver justificativa para me devolver o que vou apresentar, não desejo ter qualquer contato com aquele ministro. Ele está no lugar errado”.

Sachsida, presente na reunião em questão, afirmou ao STF não se lembrar de ter debatido sobre a tentativa de golpe de Estado ou a abolição violenta do Estado democrático de direito. Declarou ainda não se recordar de ter ouvido Anderson Torres discursar durante o encontro.

Bianco afirmou ter sido chamado à reunião para discutir uma cartilha da AGU (Advocacia-Geral da União) sobre condutas vedadas a agentes públicos e políticos que exercem cargo e concorrem em eleições. Em seu depoimento, o ex-advogado-geral da União declarou não ter ouvido nenhuma discussão que envolvesse uma “ruptura democrática”.

Leia também

Estava, na minha avaliação, em um período eleitoral, com grande tensão devido a questões eleitorais. Percebia uma posição específica sobre as atitudes nesse período, porém não identifiquei nenhuma questão que envolvesse ruptura.

Rosário afirmou que houve uma discussão sobre o processo eleitoral e o comportamento das instituições naquele momento. Segundo o ex-ministro da CGU, trataram de “possíveis fragilidades no sistema de votação eletrônica, que visavam o aprimoramento para ter um resultado fidedigno”.

O Plenário do STF iniciou, em 19 de maio, a análise dos depoimentos de testemunhas apontadas pelo núcleo central da trama da tentativa de golpe. A acusação da PGR sustenta que o grupo foi responsável por liderar a organização criminosa.

As testemunhas de Anderson Torres depuseram na quinta-feira (29.mai).

Paulo Guedes, ex-ministro da Economia de Bolsonaro; Celio Faria, ex-ministro da Secretaria de Governo; Adler Cruz e Alves, ex-vice-advogado-geral da União, também seriam ouvidos, porém a defesa de Torres desistiu dos seus depoimentos no início da audiência desta manhã.

As declarações das testemunhas em Torres prosseguirão na 6ª feira (30.mai). As audiências devem ser concluídas até 2 de junho. No mesmo dia, também testemunharão as testemunhas indicadas por Jair Bolsonaro, pelo ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e pelo general Walter Braga Netto, todos acusados por tentativa de golpe.

A Redação Clique Fatos assina a cobertura geral do portal. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de fontes identificadas (órgãos oficiais, agências e veículos de imprensa) e passam por checagens automáticas antes de publicar. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!