Anthropic, dona do Claude, vê investidores resistirem a avaliação de US$ 1,5 trilhão para o IPO
A Anthropic, dona do assistente de inteligência artificial Claude, enfrenta resistência de investidores à avaliação de US$ 1,5 trilhão discutida para sua estreia na bolsa. Segundo pessoas ouvidas pela Reuters, a queda das ações de tecnologia colocou o calendário de novembro sob pressão.
A receita do terceiro trimestre ficou perto de US$ 17 bilhões, mas a companhia voltou a registrar prejuízo operacional. A Anthropic não quis comentar essas dúvidas com a agência.
Investidores querem pagar menos pela empresa
A empresa havia preparado a oferta para apresentar aos investidores na semana de 9 de novembro. Agora, potenciais compradores questionam se ainda há condições de manter a estreia neste mês, e o preço das ações segue sem definição.
O crescimento da receita abriu caminho para uma das maiores ofertas do mercado. Ao mesmo tempo, a mesma expansão exige uma conta de infraestrutura que os novos acionistas vão ajudar a bancar.
Avaliação caiu de cerca de US$ 2 trilhões para US$ 1,5 trilhão
Em outubro, as conversas passaram a girar em torno de US$ 1,5 trilhão, bem abaixo dos cerca de US$ 2 trilhões citados antes, de acordo com a Reuters. A diferença de US$ 500 bilhões equivale a um corte de 25%.
Esse número representa o valor do negócio como um todo, e não o dinheiro que entrará no caixa com a venda de ações. A quantia captada dependerá do preço por papel e da quantidade oferecida, dois itens que ainda estavam em aberto no prospecto enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) em 2 de novembro.
A revisão começou antes da queda mais recente das bolsas. Já havia dúvidas sobre quanto pagar por uma empresa que cresce rápido e consome recursos na mesma velocidade.
Receita dispara, mas computação consome mais
A Anthropic foi fundada em 2021 por ex-integrantes da OpenAI, entre eles os irmãos Dario e Daniela Amodei. Em setembro, cerca de 250 clientes geravam, cada um, mais de US$ 10 milhões de receita em 12 meses, e muitos deles usam os modelos em programação e análise de documentos.
Para atender essa demanda, a companhia precisa contratar capacidade de processamento antes de saber quanto os clientes vão consumir. No terceiro trimestre, a receita subiu cerca de 47% frente aos três meses anteriores, enquanto os gastos com computação e infraestrutura saltaram de US$ 5,6 bilhões para US$ 9,9 bilhões.
Com isso, o resultado operacional saiu de um lucro de US$ 974 milhões para um prejuízo de US$ 567 milhões. O balanço também registrou perda líquida de US$ 23,3 bilhões, influenciada por ajustes contábeis ligados à valorização da própria empresa, por isso o indicador operacional ajuda a medir o custo real da operação.
No longo prazo, o peso é ainda maior. A companhia tem compromissos de compra e arrendamento que somam US$ 895,4 bilhões, a maior parte destinada a computadores e estrutura física. Desse valor, US$ 69,8 bilhões precisam ser pagos nos 12 meses seguintes a setembro de 2026, e o restante se espalha por vários anos.
Oferta na Nasdaq depende de achar compradores
A oferta está sendo montada para a Nasdaq, sob o código ANT, com Goldman Sachs e Morgan Stanley como bancos coordenadores. No prospecto, a empresa afirma que pretende financiar os investimentos com a receita do negócio e com o capital que conseguir levantar.
O calendário, porém, depende de encontrar investidores dispostos a assumir os riscos pelo preço proposto. Segundo a Reuters, se a pressão sobre os ativos de inteligência artificial continuar, a empresa pode esperar um mercado mais favorável. Não há anúncio de adiamento.
O desfecho também interessa a fabricantes de chips, empresas que alugam servidores e construtoras de centros de dados, já que são elas que fornecem a estrutura para o Claude crescer. A estreia vai mostrar quanto os investidores aceitam pagar hoje por essa expansão.
Editoria:
Redação Economia
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