Analista diz que ofensiva de rebeldes e jihadistas fortaleceu a junta militar do Mali

Para Ovigwe Egeugu, a resposta rápida do governo uniu o país; os ataques de abril mataram o ministro da Defesa, Sadio Camara.

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Foto: AFP

Mali fortalecido após ataques, segundo especialista

A recente onda de ataques que sacudiram o Mali, com o objetivo de derrubar o governo, acabou por consolidar o poder no país, segundo o cientista político Ovigwe Egeugu. O analista, conhecido por sua expertise sobre a África, foi ouvido pelo Brasil de Fato. “Vimos um avanço jihadista sendo revertido e, em termos de estabilidade política, o que ocorreu foi uma consolidação do regime, unindo o país em vez de deixá-lo fragmentado”, explicou Egeugu, também do centro de estudos Development Reimagined, na Nigéria.

O especialista ressaltou que a população, após os ataques, demonstrou confiança no governo, sentindo-se segura devido à rápida resposta do governo em proteger a capital. “A população viu que, em apenas 72 horas, o governo conseguiu responder ao ataque e proteger a capital”, afirmou Egeugu.

Ataques coordenados e consequências

Os ataques do final de abril, envolvendo grupos jihadistas e separatistas tuaregues, representam os maiores em 15 anos. Os rebeldes afirmaram ter tomado a cidade de Kidal, no norte do país, e o ministro da Defesa, Sadio Camara, figura central da junta militar que governa o Mali, foi morto em um ataque à sua casa em Kati, perto de Bamako.

A situação demonstra a complexidade do cenário político e de segurança no país.

Relações internacionais e acusações

Egeugu disse que, embora não haja provas concretas de financiamento estrangeiro dos grupos atacantes, há indícios de laços com a França. A antiga potência colonial, expulsa da região pelos governos militares, é acusada por esses regimes de apoiar grupos separatistas e terroristas, como os tuaregues da FLA, para desestabilizar governos e retomar o controle de recursos. “O governo francês de Nicolas Sarkozy utilizou o FLA para derrubar Gaddafi [líder líbio deposto em 2011] e seu atual comandante, Ilias Gally, recebeu assistência francesa durante um tratamento médico em uma clínica argelina”, declarou Egeugu.

A moeda CFA e o legado colonial

A França manteve o controle sobre suas ex-colônias através da estrutura neocolonial baseada na moeda CFA, controlada por Paris e que garantia o “direito de preferência” sobre recursos naturais, como ouro e lítio. Essa situação é vista como uma das principais causas da pobreza dos países do Sahel.

O cientista político enfatiza que os governos militares sahelianos, como o de Assimi Goïta, estão promovendo uma ruptura com esses acordos coloniais.

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Novos rumos e perspectivas

Egeugu destaca que a população acredita na capacidade coletiva e na soberania nacional, o que elevou a autoestima das nações. “A população passou a acreditar na capacidade coletiva e na soberania nacional. Aconteceu uma elevação significativa na autoestima das nações, tão massacradas”, explica o analista.

Em Burkina Faso, o governo retomou o controle de grande parte do território, antes dominado por terroristas fundamentalistas islâmicos. Além disso, há avanços em setores estratégicos, como a produção de ouro (nacionalizada) e investimentos em lítio e agricultura, visando a autossuficiência.

O cientista político conclui que a presença russa, que oferece apoio militar às revoluções nacionalistas, é vista pelos sahelianos como uma alternativa viável, especialmente após a fase do Grupo Wagner.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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