Análise indica que projétil dos EUA atingiu festa de casamento no Irã
A explosão matou cinco pessoas e feriu cerca de 70, enquanto os EUA enfrentam pressão para encerrar a guerra antes das eleições de novembro.
Uma análise de especialistas em armamentos divulgada nesta quinta – feira (3) concluiu que a explosão em uma festa de casamento no Irã, ocorrida na terça – feira (1°), provavelmente foi provocada pelo impacto direto de um projétil americano. A avaliação contraria a hipótese de que os danos tenham sido causados por um ricochete após o disparo atingir outro alvo.
A Reuters verificou as imagens e os vídeos analisados pelos especialistas. Os Estados Unidos não assumiram responsabilidade pela ocorrência, enquanto o governo do presidente americano Donald Trump enfrenta pressão crescente da opinião pública interna para encerrar uma guerra que afeta seus índices de aprovação antes das eleições de meio de mandato em novembro.
Explosão deixou mortos e dezenas de feridos
A televisão estatal iraniana informou nesta quinta – feira que uma mulher de 22 anos morreu no hospital depois que o ataque atingiu uma casa durante um casamento. Com a morte, o número total de vítimas fatais relatadas subiu para cinco.
Autoridades iranianas afirmaram que cerca de 70 pessoas ficaram feridas. No final da tarde de quinta – feira, participantes dos funerais se reuniram nos arredores do vilarejo de Kuhestak, no condado de Sirik, para prestar homenagem aos mortos.
A localidade fica em um trecho da costa do Estreito de Ormuz que foi atingido por intensos ataques aéreos americanos na noite de terça – feira. As cerimônias foram marcadas pelo luto de familiares e moradores que perderam pessoas no episódio.
Especialistas analisam origem do projétil
A Reuters enviou os vídeos e as imagens a quatro especialistas em armamentos militares. Para eles, o padrão dos danos é compatível com um impacto direto, e não com efeitos secundários provocados por um projétil que tenha ricocheteado em outro alvo.
Três dos especialistas avaliaram que a munição provavelmente era uma arma dos EUA, e não um míssil de defesa aérea iraniano que teria saído da trajetória. Um deles afirmou que o armamento pode simplesmente ter errado o alvo.
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Uma autoridade americana, que falou sob condição de anonimato, disse que o governo analisa diferentes possibilidades. Entre os cenários estão um ataque americano, o ricochete de um míssil de defesa aérea iraniano ou a ação do próprio míssil interceptador após deixar sua rota.
As forças armadas dos EUA disseram estar cientes dos relatos iranianos, mas afirmaram que “nunca têm civis como alvo”. O vice – presidente dos EUA, JD Vance, declarou nesta quinta – feira que o caso estava sendo analisado. “Estamos investigando porque, obviamente, nos importamos.
Queremos saber”, afirmou.
Vance acrescentou: “Se cometemos erros — e, novamente, essa é uma grande diferença entre nós e o Irã —, quando nossos militares cometem erros, eles aprendem com eles para tentar melhorar”.
Explosão ocorre meses após ataque a escola
O episódio aconteceu cerca de seis meses depois de um míssil destruir uma escola de ensino fundamental. Segundo autoridades iranianas, mais de 175 crianças e professores morreram naquele ataque.
A Reuters havia informado anteriormente que uma investigação militar interna inicial dos EUA apontava que as forças americanas provavelmente eram responsáveis pela destruição da escola. O Pentágono, porém, não divulgou publicamente as conclusões do procedimento.