Ameba de fogo vive até 64 ºC e suporta 70 ºC em cisto, superando todos os recordes anteriores
Cientistas da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, descobriram uma ameba que se reproduz a 63 ºC e continua viva e em movimento até 64 ºC, superando todos os recordes anteriores. A espécie, batizada de Incendiamoeba cascadensis e apelidada de “ameba de fogo”, foi encontrada em águas termais do Parque Nacional de Lassen Volcanic, na Califórnia, e descrita em um novo artigo publicado na revista científica Cell.
A descoberta derruba uma regra que vigorava havia mais de meio século. Em 1972, dois cientistas publicaram um artigo defendendo que formas de vida complexas não conseguiriam sobreviver e se reproduzir acima de 60 ºC. Até agora, essa afirmação não havia sido contestada com evidências tão claras.
Por que bactérias e arqueas resistem a calor maior
Alguns seres vivos simples, como as bactérias e as chamadas arqueas, sobrevivem e se reproduzem em temperaturas altíssimas, chegando a passar dos 100 ºC, ponto em que a água começa a ferver. Esses organismos, porém, são procariontes. Isso significa que são formados por células primitivas, sem um núcleo definido para proteger e armazenar o material genético.
Já os eucariontes possuem células mais complexas, com núcleo bem definido. Esse grupo inclui os animais e também as amebas. Embora sejam unicelulares e microscópicas, as amebas são mais complexas que as bactérias. Até então, acreditava-se que nenhum eucarionte conseguia viver acima dos 60 ºC, e a nova ameba mostrou que essa crença não se sustentava.
Como a ameba de fogo suporta o calor
Além de se reproduzir a 63 ºC e se manter móvel até 64 ºC, a ameba suporta brevemente temperaturas de até 70 ºC quando entra em um estado de dormência chamado de cisto.
Os pesquisadores sequenciaram e estudaram o genoma da ameba para tentar entender como ela resiste ao calor de ambientes vulcânicos. Com base nessa análise, uma hipótese é que a espécie possua mecanismos para deixar suas proteínas e membranas mais estáveis, além de ferramentas para reparar proteínas danificadas.
A ameba também parece capaz de ajustar seu comportamento e a velocidade de deslocamento quando as temperaturas se tornam excessivamente elevadas. Por enquanto, essas explicações fazem parte de uma hipótese que ainda depende de novas investigações para ser confirmada.
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Redação Variedades
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