Amazon anuncia tablets Android com Alexa+ turbinada por IA e preços mais altos

A transição para o Android nativo e carcaças de alumínio posiciona a Amazon para competir diretamente com Apple e Samsung no segmento premium.

Amazon agora mira segmento premium com Alexa equipada com IA

A Amazon anunciou nesta quinta – feira (8) uma nova linha de tablets que, pela primeira vez, roda o sistema Android do Google e traz a assistente de voz Alexa+, turbinada com inteligência artificial. A aposta da empresa é clara: convencer os consumidores a pagar mais por dispositivos premium, depois de anos vendendo aparelhos baratos.

Os tablets, que a Amazon vinha desenvolvendo sob o codinome Kittyhawk — conforme a Reuters noticiou com exclusividade no ano passado —, marcam o abandono do Fire OS, o sistema operacional próprio da companhia. O Fire OS era uma versão “derivada” do Android, mas com limitações que geraram reclamações de consumidores e desenvolvedores de aplicativos ao longo dos anos.

De Fire OS para Android: a virada da Amazon

A transição para o Android puro representa uma mudança profunda na estratégia de software da Amazon. O Fire OS, apesar de ter raízes no sistema do Google, funcionava como um ecossistema fechado, o que dificultava a oferta de aplicativos populares e atualizações frequentes.

Agora, com o Android nativo, os novos tablets devem ter acesso à vasta biblioteca da Play Store.

A reformulação dos tablets também reflete uma nova visão sob o comando de Panos Panay, chefe da divisão de dispositivos da Amazon. A ideia é se posicionar em um segmento mais sofisticado e se afastar dos aparelhos baratos que a empresa vendia a preço de custo ou próximo a ele.

O objetivo, segundo a Amazon, é fidelizar clientes para serviços como Prime Video, Kindle, aplicativos de música e o site de e – commerce.

Os novos tablets, batizados como Alexa Tablets, têm carcaças de alumínio — uma mudança em relação ao plástico dos modelos Fire. Os preços variam de US230 a US 500, com a versão mais avançada, de 128 GB de memória, chegando a US 550.

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Preços mais altos e concorrência direta com Apple e Samsung

O valor de US550 coloca o tablet topo de linha da Amazon lado a lado com concorrentes de peso. Um iPad da Apple sai por US 450, enquanto um tablet Samsung equivalente também custa US550. Já o modelo anterior mais sofisticado da Amazon, o Fire HD 10, custava mais de US 180 — embora a empresa frequentemente oferecesse descontos que derrubavam o preço.

Esse salto de preço não é por acaso. Durante anos, a Amazon priorizou a acessibilidade, mas isso veio com concessões em qualidade de tela e duração da bateria, deixando os tablets Fire para trás em comparação com Apple e Samsung. Agora, a companhia tenta competir de igual para igual no segmento premium.

A Alexa+, versão avançada da assistente com inteligência artificial, será um dos principais atrativos. Para acessá – la, o usuário precisará de uma assinatura Prime ou de uma assinatura específica do Alexa+, informou a Amazon.

Mercado de tablets encolhe, e Amazon perde espaço

A aposta em tablets mais caros ocorre em um momento delicado para o setor. As vendas mundiais de tablets caíram 12% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 33,6 milhões de unidades, segundo dados da IDC.

O mercado americano foi ainda mais afetado, com uma queda de 32% no mesmo período.

Nesse cenário, a Amazon viu sua participação global encolher drasticamente. A empresa detinha apenas 1,9% do mercado de tablets no segundo trimestre deste ano, contra 8% registrados um ano antes. Enquanto isso, a Apple lidera com 34%, seguida pela Samsung, com 17,5%, de acordo com a IDC.