Aliados de Lula temem impacto eleitoral após pedido de vista de Dino no STF
Aliados de Lula temem que pedido de vista de Dino no STF prolongue crise e prejudique campanha à reeleição em 2026.
O pedido de vista do ministro Flávio Dino no julgamento do STF na última terça – feira (15) gerou preocupação entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa no entorno do petista era de que a sessão terminasse com a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, o que, na visão do grupo, atenderia a um clamor social e tiraria o Supremo do centro do debate eleitoral.
Com o adiamento, o cenário se tornou mais desafiador para a campanha à reeleição.
O cálculo político era de que o desfecho favorável a uma apuração contra Moraes abriria espaço para outros temas na disputa. No entanto, o pedido de vista de Dino interrompeu esse movimento. Agora, a oposição tenta associar a atuação de uma “tropa de choque pró – Moraes” — formada pelos ministros Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin — ao Palácio do Planalto, o que acendeu o sinal de alerta na campanha de Lula.
Pressão nos bastidores e estratégia de defesa
Nos bastidores, aliados de Lula já cogitam pressionar Dino para que ele libere o processo e permita que o STF encerre o assunto. A ideia é evitar que a crise se arraste e ganhe ainda mais repercussão negativa para o governo. Enquanto isso, a campanha do presidente à reeleição deve reforçar, nos próximos dias, que a crise no STF se restringe ao Poder Judiciário, sem qualquer vínculo com o Executivo.
Lula, por sua vez, manterá o discurso em defesa de “investigações doa a quem doer”. Integrantes da campanha são enfáticos ao afirmar que o petista realmente defende a abertura de uma investigação contra Moraes. A avaliação interna é de que a conjuntura mudou completamente após a eclosão da crise, e que é necessário um freio de arrumação na campanha diante dos resultados pessimistas das últimas pesquisas.
Reação do PT e reforma do Judiciário
Na última quinta – feira (10), o PT convocou uma reunião de emergência para discutir a crise no STF, os impactos para a campanha de Lula e as medidas de reação. Após o encontro, a sigla publicou uma resolução interna em que reforça a defesa de uma reforma do Judiciário.
O partido também abrirá discussões sobre a adoção de mandatos para os ministros do STF e de outras cortes superiores.
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Como mostrou a CNN, a avaliação negativa sobre as consequências do pedido de vista é grande entre os aliados. A sessão histórica foi encerrada durante a votação de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O decano propôs reunir os processos que envolvem Moraes e a conduta de André Mendonça, adiando o julgamento para 23 de setembro.
Até lá, a campanha de Lula terá que lidar com a sombra do STF sobre o debate eleitoral.