Alerta de Hantavírus em Cruzeiro: Autoridades de Saúde em Alerta Global

Alerta de hantavírus em Cruzeiro gera preocupação global; médico da UFRJ explica os riscos e características da doença. Descubra mais sobre o surto!

Alerta de Hantavírus em Cruzeiro Gera Preocupação Global

Um alerta foi emitido por autoridades de saúde em todo o mundo, gerando preocupação entre a população. A embarcação, operada pela Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, no mês passado, em uma viagem pelo Oceano Atlântico, com paradas em ilhas remotas.

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Durante a viagem, diversos passageiros adoeceram com uma doença respiratória de rápida progressão, conforme informou a empresa.

Em entrevista à CNN, o médico Alberto Chebabo, infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), discutiu as características da doença, os fatores que contribuíram para a disseminação no navio e o risco para a população em geral.

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Segundo Chebabo, o hantavírus não é uma novidade para a comunidade médica. “O vírus que causou o surto no navio já foi sequenciado geneticamente e não apresentou mutações que o tornassem mais transmissível do que as versões conhecidas”, explicou.

Cepa Andes: Transmissão entre Humanos

Das 38 espécies de hantavírus conhecidas, a maioria se transmite pelo contato humano com ambientes contaminados por fezes, urina ou saliva de roedores. No entanto, a cepa envolvida no surto do navio é uma exceção. “Essa variante, conhecida como a espécie andense, é capaz de se propagar de pessoa para pessoa por via respiratória, sem a necessidade de contato com o vetor animal”, detalhou Chebabo.

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Para que essa transmissão ocorra, é necessário um contato prolongado e próximo entre as pessoas. Chebabo ressaltou: “Na COVID, um contato eventual é suficiente para a transmissão. Já no caso do hantavírus dessa espécie, é necessário um contato prolongado em um ambiente fechado, com pouca ventilação e troca de ar.”

Ambiente Propício ao Surto

As condições do navio de cruzeiro criaram um cenário favorável à disseminação do vírus. De acordo com Chebabo, um passageiro provavelmente embarcou infectado, ainda no período de incubação, quando a pessoa já carrega o vírus, mas não apresenta sintomas. “Um ambiente fechado, com ventilação forçada e ar-condicionado constante, aliado ao clima frio, fez com que os passageiros permanecessem a maior parte do tempo nos espaços internos”, argumentou o médico.

“As pessoas convivendo durante vários dias em um ambiente confinado facilitaram a transmissão”, completou o infectologista.

Gravidade da Doença

Chebabo alertou que a hantavirose é uma doença de alta letalidade, independentemente do perfil do paciente, com uma taxa de letalidade que varia de 25% a 50%. Apesar da gravidade, o especialista enfatizou que o risco de infecção para a população em geral é muito baixo. “Não é um vírus novo como o da COVID”, concluiu o médico.