Estudo revela que poluição do ar em São Paulo aumenta risco de doenças renais em homens

Estudo revela que a poluição do ar em São Paulo está ligada ao aumento de doenças renais, especialmente entre homens. Descubra os detalhes alarmantes!

11/05/2026 14:57

4 min

Estudo revela que poluição do ar em São Paulo aumenta risco de doenças renais em homens
(Imagem de reprodução da internet).

Estudo revela ligação entre poluição do ar e doenças renais em São Paulo

Uma pesquisa apoiada pela FAPESP e publicada na revista Scientific Reports identificou uma forte relação entre a concentração de material particulado no ar de São Paulo, principalmente proveniente da queima de combustíveis por veículos, e o aumento de doenças renais.

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O estudo avaliou o risco de internações por três condições renais em função dos níveis de poluição do ar entre 2011 e 2021, destacando que homens de diversas idades apresentaram maior risco de hospitalização.

Mesmo a exposição a baixas concentrações desse poluente, respeitando o limite de 15 micrômetros por metro cúbico (μg/m3) de material particulado fino em 24 horas, já é suficiente para elevar o risco de hospitalização em homens por injúria renal aguda, uma das condições analisadas.

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Para as mulheres, esse risco não se mostrou elevado. “A exposição do paulistano a esse material atingiu 65 μg/m3, mais de quatro vezes o máximo tolerável segundo a OMS. Mesmo concentrações dentro do limite ainda se relacionaram com internações por doenças renais, o que indica a necessidade de intensificar políticas para reduzir a poluição do ar”, afirma Iara da Silva, primeira autora do estudo e doutoranda no IAG-USP.

Detalhes do estudo e suas implicações

O estudo faz parte do projeto “A poluição do ar é o motor do envelhecimento renal prematuro”, coordenado por Lucia Andrade, professora da FM da USP, e recebeu apoio da NWO. Além disso, contou com suporte da FAPESP através do projeto “Área Metropolitana de São Paulo: abordagem integrada mudanças climáticas e qualidade do ar” (Metroclima Masp), coordenado por Maria de Fátima Andrade, professora do IAG-USP.

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O material particulado fino é composto por partículas, sólidas ou líquidas, com menos de 2,5 micrômetros (μm). Os resultados indicam que a exposição a esse tipo de poluição pode aumentar em até quatro vezes o risco de hospitalização por doenças renais crônicas, variando entre diferentes faixas etárias e níveis de exposição.

Para a doença renal crônica, a exposição prolongada ao nível mais alto registrado no estudo, 65 μg/m3, elevou consideravelmente o risco para indivíduos entre 19 e 50 anos, sendo até 2,5 vezes maior para homens entre 51 e 75 anos.

Consequências da poluição do ar para a saúde renal

A exposição prolongada a altas concentrações de material particulado também aumentou o risco de hospitalização por injúria renal aguda em homens entre 19 e 50 anos. O risco de glomerulopatias, que afetam as estruturas responsáveis pela filtração do sangue, foi maior para homens com menos de 40 anos, especialmente para aqueles expostos a concentrações entre 15 μg/m3 e 65 μg/m3.

Esse nível de exposição também elevou o risco cumulativo de hospitalização para nefropatia membranosa, uma forma de glomerulopatia, independentemente da idade e sexo.

“A hipótese é que o material particulado que respiramos pode entrar na corrente sanguínea e se depositar nos rins, onde é tratado pelo sistema imunológico como um corpo estranho, levando à produção de mediadores inflamatórios e ao envelhecimento precoce”, explica a pesquisadora.

Em um estudo anterior, o grupo comparou a resposta à injúria renal aguda em camundongos expostos ao ar de São Paulo e em outros que respiraram ar purificado. “Nos animais, aqueles expostos ao material particulado apresentaram uma doença mais grave, com diminuição da filtração glomerular e mais inflamação nos rins”, relata.

Desafios e perspectivas futuras

Os dados levantados são alarmantes em relação à qualidade de vida e aos custos de saúde associados a essas doenças, que poderiam ser evitadas ou minimizadas com a redução da poluição. Em casos graves, os pacientes podem necessitar de hemodiálise ou até mesmo de transplante renal, sendo que há uma grande demanda por esse tipo de procedimento.

Em um próximo estudo, a equipe brasileira e neerlandesa acompanhará pacientes transplantados para comparar os desfechos de saúde em diferentes níveis de exposição ao material particulado.

“Embora existam políticas públicas em andamento para a redução da poluição do ar, elas ainda não são suficientes. É necessário um novo modelo de desenvolvimento que não dependa da queima de combustíveis fósseis, que também contribui para o aquecimento global”, conclui Silva.

O trabalho também contou com apoio da FAPESP por meio de Bolsa de Doutorado para Caroline Fernanda Hei Wikuats no IAG-USP, com estágio na Universidade de Amsterdã, nos Países Baixos.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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