Agricultura familiar reúne 77% das propriedades, mas só 15% têm crédito
Agricultura familiar responde por 77% das propriedades, mas apenas 15% têm acesso a crédito rural, aponta estudo do WRI Brasil.
A agricultura familiar responde por 77% dos estabelecimentos agropecuários do Brasil, mas ainda enfrenta barreiras para se desenvolver. Um levantamento do WRI Brasil, baseado no Censo Agropecuário de 2017, mostra que apenas 18,2% dessas unidades recebem assistência técnica e somente 15,4% têm acesso a crédito rural.
O estudo analisa as desigualdades do setor e conclui que a agricultura familiar reúne realidades muito distintas, que precisam ser levadas em conta na hora de planejar políticas públicas. São cerca de 3,9 milhões de estabelecimentos familiares no país, o que equivale a 77% do total de unidades agropecuárias. Apesar disso, eles ocupam apenas 23% da área total e respondem por uma fatia semelhante do valor da produção.
Participação na produção de alimentos varia por região
A pesquisa aponta que o peso da agricultura familiar na oferta de alimentos não é uniforme. O segmento é responsável por 58,3% do volume nacional de cebola e 48,5% da produção de banana. No feijão, a participação chega a 23,1%. Já na batata-inglesa, o índice cai para 12%; no arroz, para 10,9%; e na laranja e no tomate rasteiro, ambos com 9%.
Em 142 produtos agropecuários, a agricultura familiar representa mais da metade do valor bruto da produção. Entre os exemplos estão a mandioca, com aproximadamente 80% do valor nacional; o leite de vaca, com 62,8%; a alface, com 62,1%; e o morango, com 79%.
O recorte considerou alimentos relevantes para o consumo dos brasileiros, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017–2018.
A distribuição territorial também ajuda a explicar a importância do setor para o abastecimento. No Sul, a produção familiar se destaca em arroz, cebola e feijão-preto. No Nordeste, o forte são o feijão-fradinho e o feijão-verde. Já o Sudeste concentra a produção de batata e tomate.
Apenas 11,5% dos estabelecimentos têm tratores
Além da baixa cobertura de assistência técnica e crédito, o levantamento revela que somente 11,5% dos estabelecimentos familiares possuíam tratores. A assistência técnica também é concentrada regionalmente: 46% dos estabelecimentos atendidos estavam no Sul, 24% no Sudeste, 19% no Nordeste, 6% no Norte e 5% no Centro-Oeste.
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As diferenças aparecem também conforme o perfil de quem dirige a unidade produtiva. Entre os estabelecimentos comandados por mulheres, 11,2% recebiam assistência técnica, ante 19,9% dos dirigidos por homens. A presença de tratores era de 4,2% e 13,2%, respectivamente.
Para o WRI Brasil, ainda faltam estratégias uniformes de apoio aos diferentes perfis de agricultores familiares. “Fortalecer a produção de alimentos exige diagnósticos que considerem essas diferenças e orientem o acesso a crédito, assistência técnica, tecnologia e mercados”, conclui a pesquisa.