Agentes da Abin criticam relatório da PF citado por Moraes em decisão sobre Mendonça

A Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) contestou neste sábado (5) o conteúdo de um relatório de inteligência atribuído à Polícia Federal. O documento foi citado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em uma decisão que apontou suposto na condução de investigações sob relatoria de Mendonça.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Em nota pública, a entidade avaliou que o relatório não segue os critérios esperados para documentos produzidos no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência. A manifestação não menciona nominalmente Moraes ou Mendonça e também não trata do mérito das apurações.
Entidade questiona metodologia do relatório
O documento da PF passou a ter destaque depois de ser reproduzido por Moraes na decisão. Entre os pontos citados pelo magistrado estão avaliações sobre um suposto direcionamento das investigações e um alegado “viés político” do relator.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Para a Intelis, o material divulgado “não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência”. Essa doutrina orienta a produção de conhecimentos no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência.
A entidade afirmou que a atividade de inteligência de Estado “não se confunde com investigação criminal”. Também não deve ser usada para produzir peças voltadas à formação de um juízo acusatório, segundo a associação.
Na prática, a elaboração desses documentos deve seguir etapas de coleta, avaliação, análise e validação. A Intelis sustenta que esses procedimentos existem para assegurar objetividade, consistência e impessoalidade ao conteúdo produzido.
Intelis defende limites legais para a inteligência
A associação também afirmou que relatórios de inteligência não podem substituir procedimentos investigativos nem servir à produção de elementos de autoria e materialidade próprios da persecução penal. “Não é instrumento destinado à substituição de procedimentos investigativos ou à formação de elementos de autoria e materialidade próprios da persecução penal”, declarou.
Leia também
Na avaliação da Intelis, o episódio expõe os riscos causados pela falta de definição clara sobre as fronteiras da atividade de inteligência. A entidade alertou para uma “confusão perigosa” entre inteligência, atividade policial e persecução penal.
Além da crítica ao conteúdo do relatório, a associação defendeu que o Congresso Nacional analise o PL 6.423/2025. A proposta pretende criar um marco legal para a atividade de inteligência no país, estabelecendo competências, limites e mecanismos de controle.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



