Liderança de Fachin é “atropelada” por ministros do STF, avalia especialista

Fachin pode assumir as apurações sobre Alexandre de Moraes e André Mendonça, em meio à disputa por protagonismo e à pressão sobre o STF.

05/09/2026 06:01

3 min

Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal)
Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal)

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) ganhou novo impulso depois que foi quebrado o sigilo de um relatório da Polícia Federal com conversas entre Alexandre de Moraes e o ex – banqueiro Daniel Vorcaro. O caso passou a concentrar as atenções sobre a condução da Corte e os possíveis efeitos políticos e institucionais.

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Em análise ao WW, Flávia Maia, analista de Judiciário do JOTA, avaliou a atuação do presidente do STF, Edson Fachin, e os caminhos que podem ser adotados diante das investigações envolvendo ministros.

Estratégia de Edson Fachin gera disputa por protagonismo

Para Flávia Maia, Fachin tem preferido examinar possibilidades, cenários e estratégias antes de tomar decisões. Essa postura, porém, pode reduzir o espaço do presidente nas discussões mais importantes do tribunal.

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“A liderança de Fachin acaba sendo atropelada, muitas vezes, pelos outros ministros”, afirmou a analista. Na avaliação dela, ao pedir manifestações antes de avançar, o ministro ganha tempo para definir sua posição, mas permite que outros integrantes do STF assumam a dianteira.

Maia disse que Fachin também considera os efeitos de suas decisões sobre o tribunal como instituição. “É uma crise do Alexandre de Moraes, é uma crise do Mendonça, mas mais do que isso, “, destacou.

A analista afirmou ainda que o STF deveria concentrar sua atuação em temas constitucionais, e não em questões penais. Para ela, a dinâmica atual da Corte estaria invertida, com investigações e assuntos criminais ocupando espaço central.

Investigações sobre ministros e possível votação

Flávia Maia indicou que há sinais de que Fachin deve assumir a condução das apurações relacionadas tanto ao ministro André Mendonça quanto a Moraes. A possibilidade, segundo ela, seria evitar a terceirização das investigações.

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“Eu acho que já dá para indicar esse caminho dele, assumir isso, não terceirizar”, disse a especialista. Sobre o caso do Master, Maia avaliou que o cenário permanece obscuro e precisa de mais tempo para ser esclarecido.

Questionada sobre uma eventual abertura de investigação contra Moraes, a analista afirmou que ainda não é possível prever todos os votos. Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin formariam uma ala definida a favor da nulidade, no sentido apresentado pelo Procurador – Geral da República.

Já as posições de Cármen Lúcia e Fachin seriam incertas. “tanto a Cármen quanto o Fachin têm toda essa questão da ética”, ponderou Maia.

Em relação a Dias Toffoli, a analista apontou que uma saída diplomática seria o ministro se declarar suspeito, como já fez em questões envolvendo o Master. Segundo ela, embora esteja próximo de Nunes Marques e de Mendonça, Toffoli não poderia adotar uma postura que abrisse caminho para a própria investigação.

“Por mais que ele esteja num momento próximo do Nunes Marques e do Mendonça, do outro lado também ele não pode assumir uma postura kamikaze”, explicou Flávia Maia. A avaliação é que o voto pela abertura de um procedimento investigativo contra um ministro poderia criar um precedente para que Dias Toffoli também fosse investigado.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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