Advogada Deolane é acusada de lavagem de dinheiro em esquema do PCC; entenda os detalhes

A investigação sobre Deolane revela um intricado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Quais detalhes surpreendentes estão por trás dessa acusação?

12/06/2026 19:01

4 min

Advogada Deolane é acusada de lavagem de dinheiro em esquema do PCC; entenda os detalhes
(Imagem de reprodução da internet).

Investigação revela suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo advogada e PCC

Uma investigação complexa realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo trouxe à tona detalhes que colocam a advogada e influenciadora digital no centro de um suposto esquema de lavagem de dinheiro, supostamente liderado pelos irmãos Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, chamado de Marcolinha.

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As informações foram divulgadas pela colunista Fabíola Perez, do UOL.

Denunciada formalmente pelo Ministério Público pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, Deolane teve seu pedido de liberdade negado pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O relatório policial a descreve como o “verdadeiro caixa” de um esquema estruturado em quatro escalões hierárquicos.

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Origem da investigação: bilhetes encontrados em presídio

A investigação teve início de maneira inusitada, com a descoberta de manuscritos no esgoto de uma cela na Penitenciária de Presidente Venceslau, em São Paulo. Os bilhetes foram encontrados em celas ocupadas por presos com fortes ligações com os irmãos Camacho, incluindo um detento conhecido como “Cigano”, que é considerado o braço direito de Marcolinha no tráfico internacional de cocaína.

Além de mapear rotas de tráfico e planejar atentados contra agentes públicos, as anotações mencionavam uma “mulher da transportadora”, o que levou a polícia à empresa Lopes Lemos Transportes, localizada próxima ao presídio. Em dezembro de 2021, mandados de busca e apreensão na residência dos sócios da empresa resultaram na apreensão de celulares que revelaram a rede de comunicação da facção.

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A estrutura do esquema e o papel dos mensageiros

Segundo o Ministério Público, o esquema criminoso funcionava como um negócio familiar, dividido em quatro núcleos de poder. O Núcleo de Comando era formado por Marcola e Marcolinha, que, mesmo de dentro de penitenciárias federais, emitiam as diretrizes do esquema.

O Núcleo dos Mensageiros incluía os filhos de Marcolinha, Paloma Sanchez Camacho e Leonardo Camacho, sendo Paloma responsável por repassar as ordens aos operadores externos.

Mensagens interceptadas mostraram Paloma dividindo os lucros entre os irmãos: “30% pra mim, 30% pro L [Leonardo], e 30% pra Thata [Vitória Alves, também filha de Marcolinha]”. O Núcleo Operacional era comandado por Ciro César Lemos e Everton de Souza, conhecido como “Player” ou “Temer”, que administrava os bens dos irmãos Camacho.

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Por fim, no Núcleo Financeiro, Deolane Bezerra atuava como a destinatária final dos valores.

Movimentações financeiras e empresas fantasmas

A polícia identificou Deolane Bezerra ao rastrear os caminhos do dinheiro geridos por Everton de Souza. O relatório da investigação indica que a influenciadora teria utilizado sua estrutura financeira para integrar valores ilícitos ao mercado legal.

A quebra de sigilo bancário e fiscal revelou movimentações financeiras que ultrapassaram R$ 140 milhões, além da identificação de empresas fantasmas registradas em seu nome.

O elo definitivo com a facção foi encontrado na contabilidade, pois as empresas de Deolane utilizavam os serviços do contador Eduardo Affonso Rodrigues, que também cuidava das finanças ilícitas de Everton, o operador do PCC.

Defesas alegam incomunicabilidade e “caça às bruxas”

A defesa de Deolane Bezerra, representada pelo advogado Aury Júnior, criticou a condução do caso, chamando a prisão da influenciadora de “caça às bruxas” de caráter vexatório. O advogado afirmou que Deolane sempre foi um alvo, destacando que outras pessoas estão sendo investigadas e podem ser presas, mas ela se destaca por chamar a atenção.

Em nota, os irmãos Marco Willians e Alejandro Herbas Camacho negaram qualquer participação no esquema e a propriedade da transportadora mencionada. A defesa de Marcola ressaltou que ele cumpre pena desde 1999 e está detido na Penitenciária Federal de Brasília desde 2019, sob “regime de total incomunicabilidade”, o que impossibilitaria o envio de ordens externas.

As defesas de Everton de Souza e dos sócios da transportadora não foram localizadas ou não se manifestaram até o fechamento dos relatórios.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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