Ação na Justiça Federal cobra melhorias na rede de saúde mental de João Pessoa

Ação civil pública pede que União, Estado e Município corrijam falhas estruturais na Rede de Atenção Psicossocial.

3 min

Justiça estabelece prazo para manifestação dos gestores | Foto: Reprodução
Justiça estabelece prazo para manifestação dos gestores | Foto: ...
▼

A Rede de Atenção Psicossocial em João Pessoa voltou ao centro das atenções após a Justiça Federal conceder uma decisão que coloca sob holofote as falhas na assistência às pessoas com sofrimento psíquico.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Uma Ação Civil Pública busca obrigar os entes públicos — União, Estado e Município – a apresentarem medidas concretas para sanear problemas estruturais da rede assistencial local. Segundo o Ministério Público da Paraíba, essa ação reúne elementos investigativos sobre como funciona a RAPS desde o fechamento dos hospitais psiquiátricos no estado.

O foco legal: recursos e leitos em João Pessoa

A iniciativa judicial visa garantir que todos os níveis de governo cumpram suas responsabilidades compartilhadas na organização dessa Rede. Entre as principais demandas apontadas estão a ampliação geral do cuidado mental e um fortalecimento urgente nos serviços substitutivos previstos pela política nacional de saúde mental.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De acordo com o Ministério Público, foram identificados problemas estruturais graves que devem ser corrigidos por meio desta ação civil pública, que ainda tramita na Justiça Federal. Os pontos críticos incluem insuficiência de vagas hospitalares gerais adequadas ao tratamento psiquiátrico em João Pessoa e falhas no uso dos recursos públicos destinados à área após os fechamentos institucionais.

Mobilização social aponta lacunas na gestão

Para a professora Ludmilla Correia, integrante do movimento antimanicomial local, essa Ação Civil Pública é um desdobramento esperado há anos. Ela ressalta que as entidades coletivas tentaram resolver essas questões por meio do diálogo institucional desde 2023 sem sucesso significativo. “Os avanços foram muito pequenos diante dos problemas que a Raps de João Pessoa apresenta”, enfatiza ela.

Correia explica ainda que os esforços administrativos anteriores não trouxeram soluções suficientes para atender às demandas da população usuária desses serviços públicos complexos e vitais na Paraíba.

A responsabilidade compartilhada entre entes

Segundo relatos, até mesmo antes desta ação judicial ser movida, já havia um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal. Esse processo investigava justamente as falhas estruturais no atendimento à saúde mental local. O foco era apurar a ausência de leitos em hospitais gerais destinados ao cuidado psiquiátrico ou o destino correto dos recursos provenientes das antigas internações do Ipp da Clínica São Pedro — verbas que deveriam alimentar diretamente os serviços substitutivos.

Leia também

“É uma ação que chama a responsabilidade dos gestores públicos,” afirma Correia sobre quem deve prestar atenção às lacunas e omissões na política pública, citando especificamente competências municipais (João Pessoa), estaduais (Paraíba) e federais. A discussão não se restringe apenas à oferta física de vagas; ela abrange também como esses fundos são aplicados após um processo tão grande quanto a desinstitucionalização previsto pela Reforma Psiquiátrica brasileira.

O papel dos movimentos sociais

Correia reforça que o sucesso da ação judicial depende fundamentalmente do acompanhamento permanente por parte dos movimentos sociais locais.

“Não existe ação sem uma mobilização social em torno do objeto dessa causa”, explica, defendendo que os coletivos e grupos pressionem continuamente as instituições envolvidas. A participação popular é vista como essencial para garantir que todas as reivindicações históricas sejam consideradas durante toda a tramitação processual. Além disso, ela lembra que há um acúmulo histórico de denúncias documentadas pelos ativistas antimanicomiais na Paraíba — material não totalmente contido nesta petição —, que deve ser usado como pressão até a sentença final.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!