Abate de fêmeas cai 30,8% em agosto e pecuaristas retêm matrizes, diz Safras
Queda no abate de matrizes sinaliza retenção de rebanho e possível virada no ciclo pecuário em 2026.
O abate de fêmeas na pecuária de corte brasileira registrou uma queda expressiva em agosto. Dados da Safras & Mercado mostram que 703,9 mil cabeças de vacas e novilhas foram para os frigoríficos no mês passado, uma redução de 30,8% na comparação com agosto de 2025, quando o volume chegou a 1,017 milhão de animais.
O recuo acentua um movimento que já vinha sendo observado ao longo de 2026.
No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o Brasil abateu 7,43 milhões de fêmeas. 11,9% menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando 8,43 milhões de animais foram processados. Na prática, são cerca de 1 milhão de cabeças a menos em relação ao ano anterior.
O encolhimento é mais severo entre as fêmeas do que na média do abate total de bovinos, que também caiu, mas em ritmo menor.
Abate total e participação das fêmeas
De janeiro a agosto, os frigoríficos abateram 25,95 milhões de bovinos no país. O número representa uma queda de 4% frente ao mesmo período de 2025. Em agosto isoladamente, o abate total de bovinos foi de 3,60 milhões de animais — uma redução de cerca de 15% em relação a agosto do ano passado.
Já entre as fêmeas, a retração no mesmo mês chegou a 30,8%, quase o dobro da média geral.
Com a queda mais acentuada, a participação de vacas e novilhas no abate total também encolheu. Elas representaram 39,8% dos animais abatidos em agosto de 2026. No mesmo mês de 2025, o índice era de quase 47%. A diferença mostra que os frigoríficos estão recebendo proporcionalmente menos matrizes.
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Para a Safras & Mercado, os números indicam uma mudança de cenário no setor. Depois de um longo período de descarte mais intenso de fêmeas, 2026 pode marcar o início de uma fase de retenção. Os produtores estariam preservando mais matrizes dentro dos rebanhos, o que reduz a oferta imediata para os frigoríficos.
Impacto na oferta e no rebanho
A retenção de fêmeas tem efeitos diretos sobre a cadeia produtiva. No curto prazo, a quantidade de animais disponíveis para o abate diminui, o que pode pressionar os preços da arroba e reduzir a produção de carne. Por outro lado, a decisão de manter mais vacas e novilhas no pasto tende a beneficiar a recomposição do rebanho nacional.
Com mais matrizes preservadas, a expectativa é de um aumento na produção de bezerros nos próximos ciclos. A consultoria avalia que o movimento pode ter impacto sobre a oferta de carne nos próximos anos, já que a base de reprodução ganha fôlego.
Ainda segundo a Safras & Mercado, os dados de agosto reforçam a percepção de que o setor está entrando em uma nova etapa, com foco na recuperação do plantel após períodos de abate elevado.
O comportamento dos frigoríficos e dos pecuaristas nos próximos meses será decisivo para confirmar a tendência. Por enquanto, os números indicam que o descarte de fêmeas perdeu força e que a retenção de matrizes pode se consolidar como estratégia para o médio prazo.