Mercado financeiro brasileiro adota IA em 90% das empresas, mas maturidade ainda é baixa

Pesquisa da Anbima aponta que 90% das empresas do setor já usam IA, mas maturidade média é de 2,7 em escala de 0 a 5.

12/09/2026 01:41

3 min

IA - inteligencia artificial - mercado de trabalho - automação
IA - inteligencia artificial - mercado de trabalho - automação

Nove em cada dez empresas do mercado financeiro brasileiro já adotaram inteligência artificial em alguma área interna. O número impressiona, mas o uso da tecnologia ainda é considerado imaturo. É o que mostra a pesquisa “Retrato da inteligência artificial no mercado de capitais”, feita pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.

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O levantamento ouviu 177 companhias — entre gestoras, corretoras e consultorias — entre 21 de janeiro e 6 de abril deste ano. O grau de maturidade na adoção da IA ficou em 2,7, numa escala de zero a cinco. Para 59% das empresas, a tecnologia ganhou muita relevância nos últimos 12 meses.

Já 63% acreditam que essa importância vai crescer ainda mais no próximo ano. Quatro em cada dez (39%) dão nota 9 ou 10 para o peso atual da IA no trabalho.

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Impactos da inteligência artificial no mercado financeiro

A pesquisa também mapeou o que as empresas esperam da ferramenta. A grande maioria (93%) acredita que a IA aumenta a eficiência dos processos internos. Para 90%, a tecnologia gera diferenciais competitivos no mercado. Outros 89% dizem que ela estimula a aprendizagem organizacional e a cultura de inovação.

Já 86% afirmam que a IA melhora a qualidade da tomada de decisão.

Entre as práticas mais comuns estão o uso voltado para Data Science (72%) e as aplicações generativas no geral (67%), como chatbots e geração de imagens e vídeos.

Do lado dos ganhos práticos, as companhias destacam o aumento de produtividade (80%), a automação de tarefas (75%), a redução de riscos e erros (57%) e o apoio à tomada de decisão em áreas específicas (57%.

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Desafios e governança na adoção da IA

Apesar dos benefícios, a tecnologia também traz dores de cabeça. Embora 38% não percebam impactos negativos relevantes, boa parte das empresas reconhece desvantagens. Entre elas estão a necessidade de novos controles ou auditorias (24%), falta de capacitação ou treinamento (22%), custo de implementação (19%), falta de segurança e privacidade (17%) e escassez de especialistas no mercado (16%.

Nem todas as companhias estão prontas para o uso da IA. Em relação a políticas e governança, 52% têm diretrizes informais ou políticas em elaboração. Outras 29% possuem alguma política formal, mas apenas em algumas áreas. Só 9% têm uma política formal de forma abrangente.

Há ainda 8% que não têm nenhuma diretriz sobre o tema. Apenas 3% contam com políticas formais e princípios de uso ético, considerados avançados.

O principal motivo para adotar a IA, segundo 53% das empresas, é a redução nos custos de implementação da tecnologia. Outros 33% citam benefícios claros para o negócio, e 27% mencionam exemplos de sucesso em empresas similares. Por outro lado, 27% acham que a tecnologia ainda é muito recente ou que a empresa não tem necessidade — caso comum entre companhias pequenas.

Já 13% dizem estar em fase de adaptação às ferramentas.

“O uso ainda se concentra em aplicações mais táticas, especialmente em processos internos e backoffice. A expansão para outras áreas depende de avanços em governança de dados, gestão de riscos, capacitação, controles e mensuração de resultados”, conclui o relatório da Anbima.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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