Zelensky afirma que eleições durante a guerra poderiam “destruir” a Ucrânia e dividir o país
Zelensky alerta que a realização de eleições durante a guerra pode causar divisões profundas e comprometer a unidade nacional da Ucrânia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, manifestou sua posição contrária à realização de eleições durante a guerra com a Rússia. Em declarações a jornalistas neste domingo (23), ele afirmou que um pleito nesse contexto poderia “destruir” o país ao criar divisões entre os ucranianos.
Essa é a primeira vez que Zelensky se pronuncia sobre o assunto desde que Mykhailo Fedorov, ex – ministro da Defesa e destituído do cargo, defendeu a realização de eleições em meio ao conflito.
A demissão inesperada de Fedorov no mês passado gerou protestos generalizados, mas seus apoiadores recuaram após sua proposta de eleições, uma demanda inédita desde o início da invasão russa em larga escala em 2022. Zelensky criticou essa ideia, afirmando: “Acredito que, se quisermos destruir o país, podemos avançar para eleições durante esse tipo de guerra”.
Desafios para a realização de eleições
Analistas destacam que as questões de segurança e a situação de milhões de ucranianos — muitos deles estão no exterior, sob ocupação russa ou lutando na linha de frente — tornariam extremamente difícil a realização de um pleito eleitoral.
Além disso, pesquisas recentes indicam que a população não está pronta para votar neste momento.
O índice de aprovação de Zelensky permanece relativamente estável, em torno de 60%. No entanto, institutos de pesquisa revelam um desejo por novos rostos na política. Uma pesquisa realizada em 5 de agosto pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev mostrou que 57% dos ucranianos preferem esperar até o fim dos combates para realizar novas eleições.
Zelensky reiterou sua posição ao afirmar que eleições poderiam ser viáveis somente se os parceiros internacionais garantissem segurança. Contudo, ele enfatizou que até agora ninguém apresentou um plano concreto nesse sentido. “Eleições neste momento seriam um tsunami para o Estado, o que dividiria a Ucrânia”, argumentou.
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A situação política na Ucrânia
Fedorov, aliado próximo e considerado um rival político importante de Zelensky, não fez declarações explícitas após sua demissão. A discussão sobre as eleições reflete não apenas uma divisão interna dentro da política ucraniana, mas também os desafios enfrentados pelo país em tempos de conflito.
Zelensky encerrou suas declarações reafirmando seu compromisso em conduzir a Ucrânia rumo ao fim da guerra e em preservar um Estado independente e soberano. O futuro político do país permanece envolto em incertezas enquanto os combates continuam.