Zambelli oferece comunidade por R$ 50 mensais e diz que Interpol a impede de abrir conta em banco

Justiça italiana adiou para 24 de novembro o julgamento da extradição da ex-deputada, condenada no Brasil por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

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Lula Marques/Agência Brasil

A ex-deputada Carla Zambelli pediu ajuda financeira na segunda-feira (2) para se manter na Itália, onde está desde o ano passado. Ela aguarda uma decisão da Justiça italiana sobre o pedido de extradição para o Brasil.

Segundo Zambelli, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a incluiu na Interpol por crime financeiro. Por causa disso, ela afirma não conseguir abrir conta em banco em nenhum país. Na Itália, lembrou, o salário só pode ser depositado em conta no próprio nome, e sem ela não há como trabalhar.

Vídeo cobra R$ 50 por mês por comunidade paga

Em um vídeo divulgado nas redes, Zambelli pede R$ 50 por mês para que seguidores tenham acesso a uma comunidade com conteúdos exclusivos de “várias áreas do conhecimento”. Ela promete tratar de temas variados e contar a experiência que viveu na prisão e o que aprendeu com ela.

A deputada cassada disse que precisaria dessa ajuda apenas até resolver sua situação no Brasil.

Julgamento de extradição é adiado para o próximo mês

A Justiça italiana adiou para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição de Zambelli. Ela foi condenada no Brasil por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após sacar um revólver e perseguir um jornalista pelas ruas de São Paulo em 2022. A Corte de Apelação de Roma acolheu pedido da defesa, que alegou não ter recebido os documentos enviados pelo Brasil sobre a Colmeia, apelido da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, unidade para onde ela seria levada se extraditada. O julgamento estava marcado para a quarta-feira e foi transferido.

Esta é a segunda vez que a extradição dela passa pela Justiça italiana. Num processo anterior, ligado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a primeira instância autorizou o envio, mas a Corte de Cassação, última instância recursal da Itália, reverteu a decisão.

Os magistrados citaram uma suposta falta de imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

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Entenda as condenações e a fuga da ex-deputada

Em 2025, o STF condenou Zambelli a 10 anos de prisão pela invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Segundo a condenação, ela liderou a inserção de um mandado de prisão falso contra Moraes nos sistemas do CNJ, com o objetivo de desmoralizar o Judiciário às vésperas das eleições presidenciais. No mesmo ano, foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo caso da perseguição ao jornalista Luan Araújo.

Antes que a ordem de cumprimento da pena fosse expedida, ela usou um passaporte europeu para viajar aos Estados Unidos e depois à Itália, onde pediu refúgio por perseguição política. Foi presa em Roma a pedido do STF, e o governo brasileiro solicitou sua extradição imediata.

Após a negativa definitiva do primeiro pedido, ela foi solta e hoje aguarda em Roma o julgamento do segundo. Em nota, o advogado Eduardo Maurício, que a representa, afirmou que extraditá-la “seria o mesmo que entregá-la à morte”, por considerar o sistema prisional brasileiro “desumano e degradante”.

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