Xu Jiayin condenado à prisão perpétua pela Evergrande após investigação de três anos

Xu Jiayin enfrenta prisão perpétua após investigação que expõe esquema fraudulento envolvendo a gigante imobiliária Evergrande.

20/08/2026 11:42

4 min

Fundador da Evergrande, Xu Jiayin, durante julgamento
Fundador da Evergrande, Xu Jiayin, durante julgamento

O fundador e ex – presidente do grupo imobiliário Evergrande, Xu Jiayin, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta – feira (20) pelo Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen. A decisão determinou não apenas o confisco total dos bens pessoais bilionários, mas também perda permanente de seus direitos políticos.

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Além da condenação pessoal ao empresário em Taikang, a própria gigante corporativa sofreu multas pesadas: 8,82 bilhões de yuans foram aplicados contra o Grupo Imobiliário Evergrande; sua subsidiária, a Evergrande Imobiliária, recebeu uma multa separada no valor de 7 bilhões de yuans.

Detalhes das acusações e crimes

Segundo os termos do tribunal que proferiu a sentença, Xu Jiayin foi responsabilizado por oito tipos penais. Os delitos incluíram captação irregular de depósitos públicos, fraude na obtenção de recursos financeiros, emissão ilegal de empréstimos e títulos fraudulentos.

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Ele também respondeu pela divulgação inadequada de informações relevantes para o mercado, suborno corporativo, uso indevido de verbas em cargo público e desvio financeiro.

O Tribunal Popular Intermediário considerou que todos esses atos criminosos ocorreram entre 2016 e 2021. As acusações apontaram uma operação sistemática e fraudulenta com grande escala: inflar artificialmente ativos da empresa enquanto ocultava passivos reais do grupo imobiliário Evergrande.

Priorização dos ressarcimentos. A decisão judicial foi clara ao estabelecer a prioridade no processo legal; o reembolso das vítimas tem precedência sobre qualquer pagamento de multas ou execução futura dos bens confiscados, segundo os detalhes divulgados pelo tribunal em Shenzhen.

O colapso financeiro sob as “três linhas vermelhas”

Historicamente construída por um modelo baseado na dívida contínua — onde empréstimos eram usados para comprar terrenos e imóveis vendidos antes da construção financiavam novos projetos —, Evergrande já registrava desde 2016 alto nível de endividamento entre quase todas as incorporadoras chinesas.

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O grupo chegou até patrocinar clubes como Guangzhou Evergrande no passado.

A situação começou a mudar drasticamente após o anúncio das regras conhecidas nas chamadas “três linhas vermelhas”. Em agosto de 2020, órgãos governamentais convocaram grandes construtoras do país em Pequim com novas diretrizes financeiras que restringiram severamente acesso ao crédito imobiliário.**

Essas normas exigiam critérios rígidos: passivo sobre ativo (excluindo adiantamentos) deveria ser inferior a 70%; dívida líquidapatrimônio líquido menor que 100%, e razão entre caixa e dívidas curtas superior a um. A Evergrande já violava os três parâmetros quando as regras entraram vigor.

Multas regulatórias e o congelamento de ativos

A pressão financeira aumentou progressivamente, culminando em grandes multas por parte dos órgãos fiscalizadores chineses mais recentes do período foram cruciais para expor falhas operacionais da empresa no mercado internacional.**

Em maio de 2024, foi possível notar uma intervenção direta: a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários (CRVM) aplicou multa ao grupo No valor total de 4,17 bilhões de yuans. A CRVM também baniu Xu Jiayin permanentemente das atividades que envolvem o capital na China.

O impacto se estendeu até mesmo à auditora multinacional Pricewaterhouse Coopers (PwC), responsável pelas contas; ela recebeu multas e teve sua licença filial em Guangzhou revogada por falhas nas vistorias contábeis realizadas para os anos de 2019 e 2020.**

Ações judiciais globais. Em janeiro de 2024, a situação atingiu um ponto crítico quando foi determinado judicialmente o processo de liquidação da holding do grupo. Administradores assumiram imediatamente as operações das empresas offshore ligadas ao bilionário Xu Jiayin.

O objetivo dessas ações é recuperar recursos destinados aos credores internacionais: contas bancárias foram congeladas em todo o mundo; bens como jatos particulares, veículos luxuosos ou propriedades também ficaram indisponíveis para uso pessoal dos executivos envolvidos no colapso imobiliário.**

Mudança na política e combate à especulação

A crise expôs uma mudança profunda nas políticas econômicas chinesas visando conter a expansão desordenada de capital através do setor habitacional. Desde 2017, Xi Jinping já havia estabelecido que “a habitação deve ser usada apenas para morar e não para fins de especulações”.**

Essa nova orientação levou os reguladores a priorizarem o desenvolvimento com alta qualidade em detrimento da acumulação rápida baseada puramente em dívida corporativa.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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