Waack: Lula aposta alto com promessa que o caixa não cobre

Lula reafirma isenção até R$ 5 mil, mas equipe econômica ainda não definiu prazo nem fonte de compensação fiscal, e proposta deve ir ao Congresso em 2026.

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as promessas de campanha e agora aposta em medidas como o transporte público gratuito nos fins de semana em mais de cinco mil municípios. A proposta, no entanto, não tem qualquer estudo de viabilidade concluído pela equipe econômica, que ainda não sabe como financiar a iniciativa.

Lula reafirmou a promessa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, mas o Ministério da Fazenda ainda não definiu prazo nem fonte de compensação fiscal. A proposta deve ir ao Congresso em 2026, em meio a um cenário eleitoral apertado.

Populismo ignora limites fiscais

Segundo análise do jornalista William Waack, as benesses eleitoreiras promulgadas pelo governo até agora não mexeram os ponteiros das pesquisas como a campanha de Lula esperava. A competição segue com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na dianteira, com margem apertada, porém persistente.

A nova aposta de Lula em promessas como o transporte gratuito não foi levada a sério nem pelo próprio Ministério da Fazenda. Ninguém sabe hoje como financiar, implementar ou fazer funcionar a medida, dados os custos sem estimativa clara e o cipoal jurídico envolvido.

Risco de estelionato eleitoral ou crise fiscal

Embora seja apenas uma promessa de campanha, a proposta precisa ser levada a sério por um motivo: ela mostra que, quando o populismo manda dessa maneira, simplesmente não existe amanhã. Lula não é um claro favorito neste momento, mas tem chances de virar o jogo e se reeleger.

Se reeleito, o presidente estaria deixando para si mesmo uma situação perigosa. Se não cumpre o que promete — e não tem dinheiro para isso — comete um estelionato eleitoral de proporções inéditas, provocando agravamento ainda maior das condições políticas precárias, dada a composição do Congresso.

Se cumpre, provoca uma crise fiscal comparável à de quem ignora a lei da gravidade: você pode até querer desafiar, mas vai se esborrachar no final.

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