Waack: Governo ignora rombo fiscal em ano eleitoral

Waack aponta que governo Lula ignora rombo fiscal às vésperas da eleição de 2026, enquanto dívida e juros pressionam o próximo presidente.

Juros futuros sobem após nova pesquisa eleitoral e alta dos Treasuries

Os números das contas públicas divulgados nesta quinta – feira (24) acendem um alerta para o próximo presidente da República, seja ele quem for. O quadro é dramático e esconde uma armadilha que o atual governo, segundo os dados, insiste em ignorar.

O problema central é simples de entender, mas complexo de resolver: as despesas do governo crescem num ritmo muito superior ao das receitas. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, essa equação virou uma espécie de bomba – relógio que ele mesmo ajudou a montar e evita reconhecer.

Já para Flávio Bolsonaro (PL – RJ), principal nome da oposição na disputa, desarmar esse cenário exigiria uma habilidade política para formar coligações que até agora ele não demonstrou ter.

A escalada da dívida e o peso dos juros

Os agentes econômicos acompanham com apreensão o tamanho do problema. A dívida bruta do país, do jeito que as contas caminham, deve continuar subindo de 2026 para 2027. As causas são sucessivos déficits fiscais — o governo gasta mais do que arrecada há anos —, agravados por juros sufocantes que tornam o serviço da dívida cada vez mais caro.

Para piorar o cenário, as estimativas de mercado projetam uma desaceleração da economia, segundo dados do Banco Central. Isso significa que as receitas do governo tendem a ser menores do que o próprio Executivo assume para o ano que vem. A combinação de gastos crescentes com arrecadação em queda é o combustível perfeito para a crise fiscal.

Na prática, a máquina pública vive um desequilíbrio que se retroalimenta. O governo precisa gastar mais para manter serviços e programas, mas a conta não fecha. E, com a dívida subindo, os juros consomem uma fatia ainda maior do orçamento, deixando menos espaço para investimentos e políticas públicas.

O silêncio eleitoral sobre o rombo

Apesar da gravidade e da urgência do problema, o tema praticamente não entrou na campanha eleitoral. O governo pinta um cenário otimista que, segundo os números oficiais, foge completamente da realidade. Já a oposição adota uma estratégia cautelosa: diz que não é o momento de detalhar o que pretende fazer, com medo de ser acusada de prometer cortes ou ajustes impopulares contra o eleitor.

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Esse silêncio dos dois lados preocupa analistas. Uma eleição tão indefinida como a atual já faz o mercado prender a respiração. A incerteza sobre o futuro fiscal só aumenta a ansiedade, especialmente pelo que vem depois do pleito. Quem vencer terá que enfrentar uma herança maldita de contas desajustadas, e o tamanho do desafio pode esmagar qualquer governo sob seu peso.